Trump tem plano para acabar com o 'shutdown', mas insiste no muro

Presidente norte-americano vai fazer o anúncio às 21.00 de Lisboa, devendo ceder na proteção aos jovens imigrantes (Dreamers) e aos que têm direito a proteção temporária.

O presidente norte-americano, Donald Trump, continua a exigir que o Congresso desbloqueie 5,7 mil milhões de dólares para construir o muro na fronteira com o México, mas prepara-se para apoiar legislação que protege os jovens imigrante ilegais, conhecidos como Dreamers, assim como alargar o estatuto dos que têm direito a proteção temporária (ou TPS).

Segundo o site Axios, assim como uma fonte da Reuters, será esta a proposta que Trump vai apresentar num discurso a partir da Casa Branca quando forem 16.00 em Washington (21.00 em Lisboa). O objetivo é acabar com o shutdown parcial do governo, que já dura há 29 dias (um recorde).

Segundo a fonte da Reuters, o vice-presidente Mike Pence, o chefe de gabinete interino da Casa Branca Mick Mulvaney e o genro de Trump, Jared Kushner, terão sido fundamentais para preparar este acordo.

A mesma fonte diz que Trump não tem planos para declarar uma situação de emergência nacional junto à fronteira, algo que tinha ameaçado fazer mais cedo para permitir desbloquear os milhões de dólares necessários à construção do muro - uma das suas principais promessas de campanha.

Trump está sob pressão para acabar com o shutdown, que deixou sem salário 800 mil funcionários federais (que foram obrigados a ficar em casa ou a trabalhar sem salário). O shutdown foi causado pela recusa de Trump em aprovar o orçamento enviado pelo Congresso que não inclui o dinheiro para a construção do muro.

Os Dreamers, a maioria dos quais latino-americanos, entraram ilegalmente nos EUA quando era crianças e estão protegidos da deportação pelo programa DACA, que garante a 700 mil pessoas autorização para trabalharem, mas não lhes abre o caminho para a cidadania norte-americana.

O DACA foi lançado em 2012 pelo ex-presidente Barack Obama, graças a uma ordem executiva, mas Trump anunciou em setembro de 2017 que pretendia revogar a medida - que só continua em vigor devido a uma decisão dos tribunais.

O estatuto de proteção temporário é dado a cidadãos de determinados países afetados por guerras ou desastres naturais, permitindo que vivam e trabalhem nos EUA durante um período limitado de tempo. A Administração de Trump tem mostrado grande ceticismo em relação ao TPS e tem-se preparado para revogar o estatuto de milhares de imigrantes de El Salvador, Haiti, Honduras e outros países.

Críticas ao México

O presidente dos Estados Unidos criticou mais uma vez hoje o México, acusando o país de "não fazer nada" para travar uma nova caravana de migrantes hondurenhos que, segundo frisou o governante, avança em direção à fronteira norte-americana.

"O México não está a fazer NADA para travar a Caravana que está agora completamente formada e se dirige para os Estados Unidos. Nós fizemos parar as últimas duas -- muitos [migrantes] ainda estão no México, mas não podem atravessar o nosso Muro, são necessários muitos agentes fronteiriços se não existir nenhum Muro. Não é fácil!", escreveu Donald Trump na rede social Twitter, utilizando letras maiúsculas ao longo da mensagem para acentuar a sua posição.

Trump publicou esta mensagem depois de mais de dois mil migrantes oriundos das Honduras terem entrado na sexta-feira em território mexicano, ignorando dessa forma o pedido das autoridades de imigração para aguardarem na fronteira com a Guatemala até à entrega de um documento que certifique a sua passagem por razões humanitárias.

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