Golfe, sumo, o imperador e o comércio. Trump está de visita ao Japão

O Presidente dos EUA volta ao Japão no final de junho para participar na cimeira do G20.

No primeiro dia de uma visita ao Japão que inclui a sua tradicional partida de golfe com o primeiro-ministro Shinzo Abe, um jantar com o novo imperador - é o primeiro líder mundial a ser recebido por Naruhito - e um torneio de sumo, Donald Trump apelou este sábado ao Japão para que as relações comerciais com os Estados Unidos sejam "mais justas", no início de uma visita oficial àquele país.

"O Japão teve uma vantagem considerável durante muitos anos [...] e talvez seja por isso que nos ama tanto", disse o presidente norte-americano, numa reunião com os principais empresários japoneses, incluindo os do setor automóvel, que decorreu logo após a sua chegada ao Japão.

Mas isso vai tornar-se "um pouco mais justo", disse, numa alusão às negociações em curso para chegar a um acordo bilateral entre a primeira e a terceira economias do mundo.

"Com este acordo, esperamos superar o desequilíbrio comercial, eliminar os entraves às exportações americanas e garantir a justiça e a reciprocidade nas nossas relações. Estamos a aproximar-nos e esperamos fazer vários novos anúncios em breve", salientou Donald Trump.

À margem da visita, foram realizados encontros entre o ministro da Economia japonesa, Toshimitsu Motegi, e o representante comercial norte-americano, Robert Lighthizer.

Se Donald Trump adiou, na semana passada, por seis meses a imposição de direitos aduaneiros adicionais sobre as importações de carros japoneses e europeus, também declarou que a dependência dos EUA sobre a indústria automóvel estrangeira representava uma ameaça para a segurança nacional americana, o que não deixou de irritar gigantes como a Toyota, escreve a AFP.

A agenda da visita de Donald Trump ao Japão - na qual se faz acompanhar pela primeira-dama, Melania, é focada no reforço das relações bilaterais e no impasse das negociações com a Coreia do Norte.

Na segunda-feira, Trump será o primeiro governante estrangeiro a ser recebido pelo novo imperador do Japão, Naruhito, que subiu ao trono no dia 1 de maio na sequência da abdicação do seu pai, o agora imperador emérito Akihito.

A visita do chefe de Estado norte-americano prolonga-se até terça-feira e inclui reuniões oficiais e momentos de lazer com o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, que esteve em Washington em abril. Com fontes em Washington a falar numa relação pessoal "sem precedentes" entre os dois líderes, Trump e Abe vão aproveitar a ocasião para mais uma das suas já tradicionais partidas de golfe.

Para manter o seu hóspede ocupado, as autoridades japonesas organizaram ainda a ida do presidente americano a um torneio de sumo, no domingo, na arena de Ryogoku Kukugikan. Trump irá entregar ao vencedor uma "taça Trump", imponente pelo seu peso e a sua dimensão: 1,40 metros de altura.

O Presidente dos EUA volta ao Japão no final de junho para participar na cimeira do G20.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...