Trump muda de ideias e diz que único republicano que apoiará é ele próprio

Milionário recuou em relação ao compromisso de lealdade que assumira em setembro. Adversários preferiram evitar responder.

Em setembro passado, Donald Trump assinava um compromisso de lealdade a garantir que apoiaria o nomeado do Partido Republicano às presidenciais americanas, mesmo que não fosse ele. "Já não", garantiu ontem na CNN, recuando numa promessa em boa parte responsável pela credibilidade que ganhara entre os republicanos e que fez dele o favorito à nomeação para as eleições do próximo dia 8 de novembro.

Esta reviravolta mostra como a relação entre Trump e os seus rivais republicanos se tem vindo a degradar, sobretudo com Ted Cruz, o segundo melhor posicionado na corrida à nomeação do partido. O magnata e o senador do Texas envolveram-se nos últimos dias numa verdadeira guerra no Twitter em torno das respetivas mulheres. Tudo começou quando a campanha de Cruz usou num anúncio de campanha uma imagem nua de Melania Trump, a terceira mulher do milionário e antiga modelo de origem eslovena. A resposta do magnata não se fez esperar: no Twitter ameaçou "Pôr a boca no trombone" em relação a Heidi Cruz. Uma expressão que muitos viram relacionada com a passada depressão da mulher do senador do Texas. A troca de acusações não se ficou por aqui, com cada um dos lados a fazer ameaças em relação ao outro. Ontem, Trump insistiu que não foi ele "quem começou".

Colocado perante a mesma pergunta de Trump, Ted Cruz preferiu não dizer se apoiaria ou não o rival, limitando-se a afirmar: "Vou contar-lhe a minha solução para isso. Donald não vai ser o nomeado republicano. Vamos derrotá-lo."

E até John Kasich, o governador do Ohio que surge num longínquo terceiro lugar atrás de Trump e Cruz na corrida republicana, se mostrou hesitante em confirmar que apoiará um dos adversários. "Quero ver primeiro como isto acaba", explicou na CNN.

Em defesa do chefe de campanha

Numa sequência de entrevistas em que os candidatos sobem ao palco uns depois dos outros, sem se cruzarem, Trump aproveitou ainda para defender o seu gestor de campanha, Corey Lewandowski, detido na Florida na terça-feira por agressão a uma jornalista. O assessor, de 42 anos, terá agarrado o braço de Michelle Fields, jornalista da Breitbart que entretanto saiu daquele site, quando esta tentava colocar uma questão a Trump durante um comício a 8 de março. O milionário voltou ontem a garantir que Fields o tentara agarrar e por isso Lewandowski se aproximou dela.

"Tenho a certeza de que vai haver um contra-ataque", afirmou Trump em declarações ontem à ABC News, antes de acrescentar que a jornalista "inventou tudo". Noutras declarações, desta vez à conservadora FOX News, o magnata do imobiliário explicou que se Lewandowski agarrou Fields foi "sem reparar".

Com o processo das primárias numa espécie de pausa da primavera, os republicanos voltam às urnas amanhã, nos caucus do Dacota do Norte, antes das primárias de terça-feira no Winsconsin, onde as sondagens colocam Trump atrás de Ted Cruz.

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