Putin é o homem mais poderoso do mundo, à frente de Trump

Revista Forbes escolheu o presidente russo para liderar a lista dos mais poderosos do mundo, à frente do presidente eleito dos Estados Unidos e da chanceler alemã, Angela Merkel.

A revista norte-americana Forbes considerou hoje que o presidente russo, Vladimir Putin, continua a ser o homem mais poderoso do mundo à frente de Donald Trump e Angela Merkel.

Com 64 anos, Putin lidera a lista da Forbes pelo quarto ano consecutivo.

"Do seu país natal até à Síria, passando pelas eleições presidenciais norte-americanas, o dirigente russo continua a alcançar os seus fins", considera a revista.

Sobre Donald Trump, que vai suceder no final de janeiro a Barack Obama na Casa Branca, "parece ser impermeável aos escândalos, tem as duas câmaras do Congresso a seu favor e uma fortuna pessoal de vários milhares de milhões", sublinha.

A chanceler alemã Angela Merkel, no poder há 11 anos e candidata a um novo mandato no outono, desceu uma posição em relação a 2015, surgindo no terceiro lugar.

Merkel é a primeira mulher da lista, que só conta três nos primeiros 20 lugares: Janet Yellen, governadora do Banco Central dos Estados Unidos, é a sexta e Theresa May, primeira-ministra britânica que conduz o Brexit [saída do Reino Unido da UE], a 13.ª.

Atrás de Putin, Trump e Merkel surgem o presidente chinês, Xi Jinping, no quarto lugar e o papa Francisco em quinto.

Os dirigentes do setor privado mais bem colocados nesta lista de 74 personalidades são todos norte-americanos: Bill Gates, cofundador da Microsoft e maior fortuna mundial, é o primeiro, na sétima posição.

A posição seguinte é de Larry Page d'Alphabet (Google). Mark Zuckerberg (Facebook) aparece em 10.º lugar, Jeff Bezos (Amazon) em 14.º e o investidor Warren Buffett em 15.º.

Com 86 anos, Buffett é uma das pessoas mais velhas desta classificação, juntamente com o magnata de Hong Kong Li Ka-shing (88 anos, 33.º lugar) e o magnata dos 'media' australiano Rupert Murdoch (85 anos, 35.º).

O presidente do grupo petrolífero ExxonMobil Rex Tillerson, que Donald Trump escolheu para o cargo de secretário de Estado norte-americano, está em 24.º lugar, logo depois do presidente francês, François Hollande.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Adelino Amaro da Costa e a moderação

Nunca me vi como especial cultor da moderação em política, talvez porque tivesse crescido para ela em tempos de moderação, uma espécie de dado adquirido que não distingue ninguém. Cheguei mesmo a ser acusado do contrário, pela forma enfática como fui dando conta das minhas ideias, tantas vezes mais liberais do que a norma, ou ainda pelo meu especial gosto em contextualizar a minha ação política e governativa numa luta pela liberdade.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.

Premium

Crónica de Televisão

Cabeças voadoras

Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. Segundo a valiosíssima Encyclopedia of Giants and Humanoids in Myth and Legend, de Theresa Bane, a criatura, conhecida como leák na Indonésia ou penanggalan na Malásia, pode assumir muitas formas - tigre, árvore, motocicleta, rato gigante, pássaro do tamanho de um cavalo -, mas a mais comum é a de uma cabeça separada do corpo, arrastando as tripas na sua esteira, voando pelo ar à procura de presas para se alimentar e rejuvenescer: crianças, adultos vulneráveis, mulheres em trabalho de parto. O sincretismo acidental entre velhos panteísmos, culto dos antepassados e resquícios de religião colonial costuma produzir os melhores folclores (passa-se o mesmo no Haiti). A figura da leák, num processo análogo ao que costuma coordenar os filmes de terror, combina sentimentalismo e pavor, convertendo a ideia de que os vivos precisam dos mortos na ideia de que os mortos precisam dos vivos.