Trump diz que ter Canadá como vizinho é uma felicidade

Presidente dos EUA e Justin Trudeau sublinharam aspectos relevantes das relações bilaterais, de nova iniciativa para empresárias à participação em diferentes conflitos

Foi com uma citação de Winston Churchill sobre as relações entre os EUA e o Canadá (que o estadista britânico outrora definiu como baseadas na "confiança e respeito mútuos") que o primeiro-ministro deste último país, Justin Trudeau, iniciou a resposta a uma pergunta sobre potenciais divergências entre Otava e Washington. Concluindo que é o "exemplo perfeito" do que deve ser o relacionamento "entre dois países vizinhos".

Trudeau falava em Washington, no final de um encontro com o presidente Donald Trump. Um encontro que, atendendo ao elenco de divergências dadas como adquiridas entre o dirigente americano e o chefe do governo canadiano, às suas diferentes referências e agendas políticas, parecia condenado a momentos de tensão. E se, num primeiro momento, Trump e Trudeau pareceram distantes, as palavras e linguagem corporal de ambos na conferência de imprensa em que o dirigente canadiano citou Churchill indicavam o contrário.

Trump deu o tom na intervenção inicial, afirmando que "partilhamos os mesmos valores" e "somos mais fortes quando trabalhamos em conjunto, em especial nas questões económicas". Falando diretamente para Trudeau, assumiu o "compromisso de trabalhar consigo nos próximos anos" em todas as áreas relevantes para a relação comum. E deixou no ar a ideia que seria retomada pelo governante canadiano ao citar Churchill: "Temos a felicidade de ter como vizinho o Canadá".

"A importância do poder das mulheres"

A uma resposta sobre o futuro do tratado de comércio livre entre EUA, Canadá e México, conhecido pela sigla NAFTA, Trump considerou que com o primeiro país não há problemas relevantes; os problemas são com o "vizinho do Sul". Na campanha, Trump prometera renegociar o NAFTA, que teria sido prejudicial aos EUA. Em visita preparatória do encontro, a ministra dos Negócios Estrangeiros Chrystia Freeland afirmara que o Canadá teria "respostas apropriadas", caso os EUA quisessem pôr fim ao NAFTA e introduzir novas barreiras alfandegárias. Mais de 75% das exportações do Canadá têm como destino os EUA; apenas 18% das exportações americanas vão para aquele país.

Ainda no plano económico, ambos os dirigentes realçaram a importância do mecanismo para reforçar a cooperação empresarial e o papel das mulheres no mercado de trabalho, o conselho EUA-Canadá de apoio às empresárias e mulheres de negócios. Esse mecanismo foi apresentado ao final do dia numa mesa-redonda com a presença dos dois dirigentes. Uma das pessoas ligadas à iniciativa é Ivanka Trump, tendo organizado a agenda da reunião e convidado algumas das participantes. Sobre o tema, Trump salientou que "todos nós sabemos a importância do poder das mulheres" e como o acesso ao capital e aos mercados "pode beneficiar os cidadãos".

Nas intervenções de ambos os dirigentes, que várias vezes referiram o facto de os seus países terem combatido as mesmas guerras, ficou claro que potenciais divergências terão de ficar para trás. Como, por exemplo, a questão da imigração. Ontem, Trudeau afirmou que não foi aos EUA para "dar lições a um outro país". Quando foi aprovada a ordem executiva a interditar a entrada de nacionais de sete países muçulmanos nos EUA, Trudeau publicou no Twitter a seguinte mensagem: "Àqueles que fogem de perseguições, terrorismo e da guerra, os Canadianos estão prontos a receber-vos, independentemente da vossa fé. A diversidade é a nossa força". Mensagem ilustrada com o dirigente canadiano saudando uma jovem refugiada num aeroporto, em 2015. Ontem, Trump disse querer seguir uma "política de porta aberta. Só queremos deixar de fora as pessoas erradas".

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