Trump diz não conhecer as mulheres que o acusam

Presidente defende-se, culpa democratas e apela ao voto em candidato republicano acusado de abusos de carácter sexual

Donald Trump considerou ontem falsas as acusações das mulheres que dizem ter sido alvo de abusos de carácter sexual da sua parte (no meio de um tweet em que fala da conspiração com a Rússia e aponta o dedo aos democratas). "Apesar das horas e dos milhões de dólares que já foram gastos, os democratas não foram capazes de provar que houve conspiração com a Rússia [sobre as eleições de 2016] - então passaram para acusações e histórias fabricadas de mulheres que eu não conheço e/ou nunca conheci. Fake News!", escreveu, no Twitter, o presidente dos EUA.

Trump reagia, assim, à entrevista e à conferência de imprensa dada na segunda-feira por três das mulheres que o acusam de comportamento abusivo de carácter sexual: Rachel Cooks, Jessica Leeds e Samantha Holvey. A primeira é uma antiga rececionista da Trump Tower, que diz ter sido agarrada à força pelo agora chefe do Estado e beijada na cara e na boca. Foi em 2005 e na altura ela tinha 22 anos. A segunda conta que, na década de 1980, se sentou ao lado de Trump num avião e este lhe pôs a mão pela saia acima. Ela tinha 30 e poucos anos. E a terceira é ex-Miss Carolina do Norte e ex-concorrente do Miss EUA 2006. Diz que durante o concurso, Trump entrava nos bastidores quando as mulheres andavam sem roupa. Ela tinha 20 anos na altura.

"Nós andávamos ali, sem nada vestido, só de robe, quando Donald Trump entrou. Ele ia como que inspecionar-nos. Senti-me um pedaço de carne. Senti-me suja. Tinha 20 anos. Não era com aquilo que eu tinha sonhado e nem aquilo por que tinha lutado", explicou Samantha Holvey na entrevista à NBC. Falando ao programa de rádio de Howard Stern, em 2005, Trump admitiu que ia aos bastidores quando queria: "Eu sou o dono do concurso e vou inspecionar... "estão todas OK?" Estás a ver, andam todas ali sem roupa. Vês aquelas mulheres todas incríveis... é com coisas mais ou menos dessas que eu me safo."

As três mulheres pediram uma investigação do Congresso dos EUA ao atual chefe do Estado. "O presidente Trump cometeu abusos, segundo estas mulheres. E isso são alegações muito sérias de má conduta e ato criminal que devem ser investigadas e ele deve demitir-se", disse ontem, na CNN, a senadora democrata Kirsten Gillibrand. No Twitter, Trump ripostou, classificando-a como "alguém que há pouco tempo era capaz de vir ao meu gabinete implorar por donativos para a campanha (e estava disposta a fazer qualquer coisa por isso) e agora está no ringue a lutar contra Trump". Na mesma rede social, a senadora mostrou que não se deixa intimidar: "Não me pode silenciar a mim e a milhões de mulheres que foram postas de lado porque falaram da vergonha que trouxe à Sala Oval."

Esta não foi, porém, a única polémica do dia envolvendo Trump... ou a sua conta no Twitter. O presidente decidiu voltar a manifestar o seu apoio a Roy Moore, candidato republicano que nas eleições de ontem disputava um lugar de senador pelo Alabama, deixado vago, com o democrata Doug Jones. Moore é acusado de ter molestado sexualmente sete mulheres, nos anos 1980, algumas eram adolescentes. O candidato diz que é tudo fabricado e, no entender de Donald Trump, ele é a melhor escolha para o Alabama por... ser contra o aborto. "O povo do Alabama vai fazer o que é certo. Doug Jones é pró-aborto, fraco na luta contra o crime, imigração ilegal, nos assuntos militares, mau para os detentores de armas e veteranos e é contra o muro. Votem Roy Moore", escreveu, no Twitter. O lugar do Albama no Senado é importante para o domínio republicano antes das intercalares de 2018.

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