Trump avisa México que pode enviar tropas para controlar "bad hombres"

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou o seu homólogo mexicano que enviará tropas norte-americanas para travar os "bad hombres" (homens maus) no México, caso os militares daquele país não os consigam controlar.

O aviso foi feito na sexta-feira, no decorrer de uma conversa telefónica entre Trump e Enrique Pena Nieto, e noticiado pela agência Associated Press, que teve acesso a excertos da transcrição do telefonema.

Apesar do tom de ameaça, a Casa Branca classificou hoje os comentários de Trump como "descontraídos" e precisou que foram feitos no âmbito de uma conversa de uma hora entre os dois chefes de Estado.

"Foi parte de uma discussão sobre como os Estados Unidos e o México podem trabalhar em conjunto para combater cartéis de droga e outros elementos criminosos, tornando assim a fronteira mais segura", disse a mesma fonte da Casa Branca.

A conversa, concluiu, foi "agradável e construtiva".

"Vocês têm um monte de 'bad hombres' aí em baixo", disse Trump ao Presidente Enrique Pena Nieto, de acordo com o excerto da conversa a que a AP teve acesso. "Não estão a fazer o suficiente para os travar. Penso que os vossos militares estão com medo. Os nossos não, por isso pode ser que eu os mande aí abaixo para tratarem disso", acrescentou Trump.

Os excertos da AP não permitem esclarecer quem é que Trump considera "bad hombres," nem deixa antever o tom ou o contexto em que a conversa decorreu.

O governo mexicano declarou que as "declarações negativas" noticiadas pela peça da AP "não ocorreram durante a conversa" entre os dois presidentes.

No entanto, um porta-voz do Governo mexicano negou que a conversa tenha sido em tom de ameaça: "é absolutamente falso que o Presidente dos Estados Unidos tenha ameaçado enviar tropas para o México".

A conversa telefónica noticiada pela AP revela a forma como Trump conduz a diplomacia com líderes de outros países parceiros, vizinhos ou aliados dos Estados Unidos, nomeadamente quando usa o mesmo estilo truculento que usava nos comícios da campanha presidencial.

No sábado, Trump esteve ao telefone com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull.

Hollande e Merkel censuraram Trump pela sua ordem executiva para bloquear a entrada de refugiados e a chanceler alemã deu mesmo um sermão ao Presidente norte-americano sobre as obrigações decorrentes da Convenção de Genebra, algo que - segundo a CNN - irritou o mandatário norte-americano.

Hoje, num pequeno-almoço com líderes religiosos, Trump justificou o tom duro das conversas.

"Quando ouvirem falar dos telefonemas duros que estou a ter, não se preocupem. São [conversas] duras", disse Trump, acrescentando que "o Mundo está em sarilhos" e que os outros países se estão a aproveitar dos Estados Unidos".

Trump disse que a sua administração vai "endireitar as coisas". "É o que eu faço. Arranjo as coisas", realçou.

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