Trump avisa G7: "Se retaliarem estão a cometer um erro"

Presidente dos EUA ameaçou cortar exportações se os aliados responderem às suas tarifas sobre aço e alumínio com outras tarifas. E propôs criar uma zona de livre comércio

Debaixo de "fogo amigo" pela decisão de impor tarifas às importações de aço e alumínio, o presidente dos EUA, Donald Trump, esteve na cimeira do G7, no Quebeque, para se defender e propor a criação de uma zona de livre comércio. De resto, nenhum dos temas lhe parecia interessar, tendo chegado 17 minutos atrasado ao pequeno-almoço sobre igualdade de género, com o anfitrião canadiano, o primeiro-ministro Justin Trudeau, a começar sem os "retardatários". Trump foi-se também embora, a caminho da "missão de paz" com o norte-coreano, Kim Jong-un, em Singapura (ver caixa), antes da discussão sobre o ambiente, que há um ano já tinha ditado outra cimeira "seis contra um".

Trump saiu da cimeira dos sete países mais ricos - além dos EUA e Canadá, o Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão - não tendo sequer passado 24 horas com os aliados. Mas deixou os recados que precisava, após trocas de palavras sobre as tarifas aplicadas pelos EUA às importações de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México.

"Se retaliarem, estão a cometer um erro", disse o presidente, que ameaçou cortar as suas exportações (especialmente no setor agrícola) para os países que mantêm a aplicação de direitos aduaneiros a produtos norte-americanos - Bruxelas estuda aplicar tarifas sobre o bourbon. Trump apelou ao fim de todas as tarifas, barreiras comerciais ou subsídios. "É assim que devia ser", afirmou, dizendo que a discussão foi "extremamente produtiva". O presidente instou ainda os restantes sete países a refletir sobre a criação de uma zona de livre comércio.

Apesar de toda a tensão, a chanceler alemã, Angela Merkel, estava confiante de que seria assinado "um texto comum" sobre o comércio, apesar de admitir que tal "não resolve os problemas detalhadamente".

Os sete países pareciam apontar para uma solução de compromisso na declaração final, com indicações das questões nas quais há discordância com os EUA. No ano passado, na cimeira em Taormina, em Itália, o comunicado final já tinha ficado marcado pelas discordâncias. Dizia que todos os países, à exceção dos EUA, reafirmavam o "forte compromisso" em respeitar o Acordo de Paris sobre alterações climáticas.

Cimeira com Kim

Nas declarações aos jornalistas antes de deixar La Malbaie, o presidente norte-americano disse que a cimeira de Singapura, na terça-feira, é uma "oportunidade única" para Kim Jong-un. Mas mostrou-se convencido de que o encontro "vai correr muito bem", admitindo contudo que qualquer acordo vai surgir do "calor do momento".

"Acho que bastará um minuto para saber se alguma coisa boa vai acontecer", afirmou Trump sobre o encontro com o líder norte-coreano. O presidente disse ainda que se acreditar que não vai acontecer nada então "não vou perder o meu tempo" e "não quero que ele perca o tempo dele", referindo-se a Kim. "Vamos com uma atitude positiva e acho que vai correr tudo bem. Mas quem sabe", indicou, lembrando que vai entrar em "território desconhecido no mais verdadeiro sentido do termo". É a primeira vez que um presidente norte-americano se reúne com um líder norte-coreano.

Papel da Rússia

Antes de partir, Trump voltou a defender o regresso da Rússia ao grupo - afastada após a anexação da Crimeia, em 2014. Mas Moscovo, através do chefe da diplomacia, Serguei Lavrov, diz que não está interessada e que prefere trabalhar no formato do G20. "No G20 os ultimatos não funcionam e é preciso chegar a acordos", justificou.

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