Trump anuncia fim de ameaça norte-coreana e Pequim sorri

Os resultados da estratégia do presidente norte-americano na cimeira de Singapura são uma incógnita. Pelo contrário, os de Xi Jinping estão à vista

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime comunista de Kim Jong-un continuam a reclamar os louros da cimeira que decorreu entre ambos na terça-feira, em Singapura. Também as interrogações se mantêm sobre o conteúdo da declaração conjunta e há quem aponte para Pequim como o grande vencedor do encontro.

"Toda a gente agora pode sentir-se muito mais segura do que no dia em que assumi o cargo. Acabou a ameaça nuclear da Coreia do Norte. O encontro com Kim Jong-un foi uma experiência interessante e muito positiva. A Coreia do Norte tem um grande potencial de futuro!". Foi desta forma que, já nos EUA, Donald Trump voltou ao tema, através do Twitter.

Já os media da Coreia do Norte saudaram a cimeira como um sucesso, tendo destacado o anúncio de Trump, na conferência de imprensa após a reunião, de que os Estados Unidos iriam parar os "provocadores" exercícios militares com a Coreia do Sul - algo que Pyongyang há muito reclamava.

À escassez de pormenores da declaração conjunta, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, adiantou que os Estados Unidos esperam alcançar um "grande desarmamento" por parte da Coreia do Norte nos próximos dois anos e meio. As declarações do homem encarregado por Trump para as principais negociações do dossiê deram-se em Seul, onde se encontrou com dirigentes sul-coreanos.

Os Estados Unidos insistiam na formulação "desnuclearização completa, verificável e irreversível da Coreia do Norte", mas na declaração conjunta, Pyongyang comprometeu-se apenas com a "completa desnuclearização da península coreana".

A Coreia do Norte tem rejeitado o desarmamento nuclear unilateral, exigindo aos EUA a remoção das capacidades nucleares. Segundo a Reuters, Pompeo não escondeu a irritação ao ser questionado sobre a omissão das palavras "verificável" e "irreversível" na declaração. "Está na declaração (...) porque completo engloba verificável e irreversível. Suponho que poderia argumentar semântica, mas posso garantir que está no documento", disse Pompeo.

Ao perguntarem como é que o processo de desnuclearização pode ser verificado, afirmou: "É claro que vai ... Eu acho essa pergunta insultuosa e ridícula e francamente caricata."

Aconteça ou não o processo de limpeza de desarmamento nuclear, a oposição democrata criticou o resultado da cimeira. "A Coreia do Norte é uma ameaça real e presente. [Trump] É um presidente perigosamente ingénuo", considerou o congressista Adam Schiff.

Da cimeira, concluíram vários analistas, saiu um facto: a China obteve tudo o que desejava. Trump legitimou o regime e o seu ditador; anunciou o fim dos exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e dos EUA; deu a indicação de querer retirar as tropas do sul da península; reconheceu nada poder fazer acerca de Pequim furar as sanções; e abandonou a política de "máxima pressão", deixando os aliados da região, Coreia do Sul e Japão, sozinhos. "Corroer a confiança das alianças dos EUA é uma vitória chave para Xi Jinping", resume Theresa Fallon, diretora do think-tank CREAS, ao Washington Post.

25% de americanos otimistas

Pouco mais da metade dos americanos afirma estar de acordo com o facto de o presidente Donald Trump ter lidado com o dossiê da Coreia do Norte, mas apenas um quarto acredita que a cimeira com Kim Jong-un levará à desnuclearização da península coreana. Estas são as conclusões da sondagem da Reuters/Ipsos, divulgada ontem.

Na declaração conjunta após a reunião em Singapura, na terça-feira, o líder norte-coreano prometeu avançar para a desnuclearização completa da península e Trump prometeu garantir a segurança do regime inimigo dos Estados Unidos. Quarenta por cento dos entrevistados disseram não acreditar que os países iriam manter os compromissos.

Outros 26% afirmaram acreditar que os Estados Unidos e a Coreia do Norte cumpririam seus compromissos, enquanto 34% disseram não saber. A sondagem conclui que 39% acredita que o encontro baixou a ameaça de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, um número semelhante (37%) aos que disseram não acreditar que nada mudou.

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