Tribunal mantém pena de prisão para cardeal George Pell em caso de pedofilia

Defesa do antigo número três do Vaticano tinha recorrido da decisão do tribunal de primeira instância, por considerar que foi apenas sustentada no testemunho de uma das vítimas. Uma delas terá morrido antes de proceder a qualquer acusação.

O Supremo Tribunal do Estado australiano de Victoria manteve esta quarta-feira a condenação do cardeal australiano George Pell a seis anos de prisão por pedofilia, rejeitando por uma votação de 2-1 o recurso da defesa. O procurador do Ministério Público considerou, no dia 6 junho, segundo dia de análise do recurso naquele tribunal apresentado pelo antigo número três do Vaticano, que a condenação de Pell por pedofilia "é incontestável".

Os advogados do arcebispo emérito de Melbourne e Sydney, de 77 anos, criticaram o veredicto do tribunal de primeira instância e uma das bases do recurso foi a alegação de que a decisão foi irracional, por se basear unicamente no testemunho de uma das vítimas.

George Pell, nomeado pelo papa Francisco para supervisionar as finanças do Vaticano, foi condenado em dezembro de 2018 por cinco acusações de abuso sexual de duas crianças do coro da catedral de St. Patrick, em Melbourne, em 1996 e 1997. Em março, foi sentenciado a seis anos de prisão.

Uma das vítimas de Pell morreu de overdose de heroína em 2014, aos 31 anos, aparentemente sem fazer qualquer acusação de abuso. A lei estadual impede que as vítimas de agressão sexual sejam identificadas publicamente.

Afastado do Conselho de Cardeais, George Pell é o mais alto responsável da Igreja Católica condenado por pedofilia.

Vaticano reconhece decisão da Justiça

​​​​​​​O Vaticano reconheceu a decisão de um tribunal que manteve a condenação do cardeal George Pell a seis anos de prisão por pedofilia e reiterou o respeito pelo sistema judicial australiano.

No comunicado, "a Santa Sé recorda que o cardeal sempre reiterou a sua inocência durante todo o processo judicial e que tem direito a recorrer ao Supremo Tribunal". Na nota do Vaticano também se afirma o "compromisso de atuar contra, através das competentes autoridades eclesiásticas, os membros do clero que cometerem tais abusos".

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