Todos os anos a aldeia de Curdi renasce das águas

Submersa por uma barragem desde 1986, a aldeia de Curdi, no estado indiano de Goa, emerge uma vez por ano, em maio, quando as águas recuam. E os antigos habitantes reúnem-se ali, nos antigos templos, para celebrar.

É uma romaria anual para os antigos habitantes de Curdi, no estado indiano de Goa, que em 1986 tiveram de abandonar a aldeia, na sequência da construção da barragem no rio Salaulim.

Os cerca de três mil habitantes que então ali residiam - 600 famílias - instalaram-se noutras localidades da região, recebendo compensações em terras. Mas ainda hoje muitos deles se reúnem anualmente no que resta da sua aldeia, quando as águas, pontualmente em maio, recuam e deixam a descoberto os edifícios, muitos em ruínas, todos de aspeto e cor lunar.

Os pontos de encontro das celebrações são os três antigos templos da aldeia: o dos hindus, o dos muçulmanos e a igreja dos cristãos. Curdi era um exemplo de convivência amena entre os crentes das diferentes religiões, e os seus antigos habitantes fazem questão de celebrar anualmente esse espírito no local onde já viveram em comunidade.

A barragem no rio Salaulim foi a primeira a ser construída no estado de Goa.

As autoridades indianas decidiram concretizar o projeto para disponibilizar água às populações de toda região, mas esse objetivo nunca foi inteiramente cumprido. A água continua hoje a ser um bem escasso em muitas das aldeias daquele território.

Em inúmeras aldeias, algumas das quais receberam os antigos habitantes de Curdi, as populações só têm acesso a água porque recorrem a furos. Mas nem isso é certo.

Assim como a albufeira da barragem encolhe drasticamente nesta época do ano, a ponto de deixar a descoberto os esboroados edifícios da antiga Curdi, também os furos secam, deixando as populações à míngua de água.

A promessa da barragem nunca se cumpriu inteiramente, mas o espírito de Curdi também não se extinguiu. Continua vivo, e é celebrado a cada novo mês de maio.

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