Tillerson recebe do G7 luz verde para pressionar Putin

Rex Tillerson, secretário de Estado norte-americano, chega hoje a Moscovo para encontros que podem revelar-se decisivos para a relação entre EUA e Rússia. É impossível negar a tensão que existe neste momento entre o Kremlin e a Casa Branca. A questão agora é descobrir se o chefe da diplomacia norte-americana terá arte para desanuviar o clima e encontrar uma solução para o conflito sírio. Esta é, no fundo, a primeira prova de fogo para o homem que Donald Trump escolheu para chefiar a política externa da sua Administração. A reunião entre Tillerson e Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, deverá ter lugar amanhã. Na bagagem, o norte-americano leva o apoio do G7 para pressionar Rússia a abandonar Bashar al-Assad.

Na semana passada, a Síria fez com que Moscovo e Washington ficassem mais distantes. Na sequência da alegada utilização de armas químicas por parte das forças leais a Bashar al-Assad, os EUA decidiram bombardear posições militares do regime. A Rússia, principal aliada do presidente sírio, não gostou. Ontem, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros - depois de acertar agulhas com o Irão - emitiu um comunicado reiterando que o ataque norte-americano configura um "ato de agressão contra um estado soberano" e que viola a lei internacional. Sensivelmente ao mesmo tempo, Tillerson afirmava em Itália: "Reafirmamos o nosso compromisso em responsabilizar todos aqueles que cometam crimes contra inocentes seja em que parte for do mundo".

Estas declarações foram feitas antes do encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, o grupo dos países mais industrializados do mundo (EUA, Canadá, Japão, França, Reino Unido, Alemanha e Itália). "Queremos dar a Tillerson um mandato claro para que possa dizer aos russos: "Continuem a apoiar este tirano [Assad] ou trabalhem connosco para encontrar uma solução", sublinhou Boris Johnson, o ministro britânico.

O ataque norte-americano da semana passada gerou um novo momento na questão síria. Resta saber se essa mudança poderá ser aproveitada a nível político e diplomático para procurar uma solução para o conflito. Ontem, na habitual conferência de imprensa, o porta-voz da Casa Branca Sean Spicer sublinhou que "não é possível imaginar uma Síria segura e estável com Assad".

Amigo da Rússia

Tillerson, que não tem qualquer experiência diplomática e que fez carreira como empresário na indústria do petróleo, irá desempenhar um papel fundamental nesta equação. Até agora, o diplomata norte-americano goza de prestígio em Moscovo graças às várias vezes em que negociou contratos enquanto chefe da Exxon Mobil. Em 2013, Putin chegou a agraciá-lo com a Ordem da Amizade, distinção atribuída a cidadãos estrangeiros que contribuem para as relações com a Rússia.

Alguns analistas entendem que o ataque dos EUA na Síria dá outra capacidade negocial a Tillerson: "A disponibilidade de Trump para usar a força tem o potencial de equilibrar as posições diplomáticas", defende Antony Blinken, ex-adjunto de John Kerry, antecessor de Tillerson.

O Kremlin fez ontem saber que Vladimir Putin, em princípio, não deverá encontrar-se com Tillerson.

Dando corpo à escalada de violência, na véspera da chegada a Moscovo do secretário de Estado dos EUA, aviões russos ou sírios lançaram bombas incendiárias sobre as províncias de Idlib e de Hama.

"Espero que seja possível estabelecer negociações construtivas com o governo russo e conseguir o apoio da Rússia num processo que leve à construção de uma Síria estável", afirmou Tillerson n domingo, em entrevista à estação televisiva ABC, antes de partir de para a Europa. EUA e Ocidente querem afastar Bashar al-Assad. Vladimir Putin quer mantê-lo.

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