Theresa May quer controlar imigração da UE mas não revela alternativa

A chefe do governo de Londres recusa modelo australiano, baseado nas qualificações profissionais e educação. Eurocéticos criticam palavras da primeira-ministra

A primeira-ministra britânica manifestou-se ontem contra um sistema de controlo de imigrantes baseado num modelo de pontos, como pretendem os eurocéticos e defensores da saída do Reino Unido da União Europeia, o brexit.

Theresa May considera que tal sistema, que seria decalcado do atualmente em vigor na Austrália, não é adequado, classificando-o como difícil de gerir. "Aquilo que os britânicos votaram a favor no passado dia 23 de junho foi a criação de um sistema de controlo dos movimentos das pessoas provenientes da União Europeia", disse a governante britânica, falando em Hangzhou, na China, no final da cimeira do G20. Ora, para May, o "sistema de pontos não permite esse controlo efetivo", disse, advogando, pelo contrário, "um sistema em que o governo tenha condições para decidir quem entra ou não no país". O sistema australiano baseia-se nas qualificações profissionais, educação e área em que se procura uma ocupação, além de outras considerações, que May considera aleatórias. Para a chefe do governo de Londres, o conjunto dos critérios aplicados pelas autoridades australianas é permeável ao abuso e pode produzir resultados aleatórios. Em síntese, para May, neste quadro, não é o governo que tem a última palavra sobre a entrada de imigrantes e o perfil de quem chega ao Reino Unido.

Por outro lado, se Theresa May recusa o modelo australiano (que tem, inclusive, defensores entre alguns elementos do seu governo, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, ou o do Comércio, Liam Fox), não adiantou detalhes sobre qual será o caminho a seguir por Londres neste capítulo, que é crucial para o desenvolvimento das futuras relações entre a UE e o Reino Unido. Enquanto não estiver esclarecida a questão, vai pairar a incerteza sobre o estatuto dos estrangeiros a trabalharem em território britânico e sobre as relações financeiras e comerciais do bloco europeu com Londres. Para os 27, não pode haver acesso britânico ao mercado único, com todas as vantagens daí decorrentes, se o executivo de Theresa May criar restrições para a entrada dos nacionais dos países da UE.

May realçou não ser sua intenção desencadear o processo de saída da UE antes do final do ano, mas insistiu que aquele será iniciado, pois "essa foi a decisão do povo britânico". Sobre a questão da livre circulação dos nacionais dos 27, a governante britânica declarou-se confiante em que, no quadro das negociações com Bruxelas, será possível Londres manter "algum controlo" na matéria.

Uma dos principais figuras da campanha do brexit, o líder do partido eurocético UKIP, Nigel Farage, comentou de imediato as palavras de May, martelando a ideia de que o eleitorado britânico, quando votou pela saída da UE, votou também por um sistema de pontos.

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