Testemunhas dizem-se forçadas a mentir no caso do jovem morto pela polícia

Autoridades estão a ser acusadas de terem inventado uma história para justificar o tiroteio que matou um jovem de 17 anos

Três testemunhas interrogadas no decorrer da investigação sobre a morte de Laquan McDonald afirmam terem sido ameaçadas e obrigadas, pela polícia de Chicago, a alterarem os seus depoimentos. Segundo os advogados da família da vítima, as autoridades forçaram as testemunhas a confirmar a versão oficial dos factos.

Laquan McDonald foi morto pela polícia de Chicago, Estados Unidos, a 20 de outubro de 2014, com 16 tiros. O jovem negro tinha 17 anos e a sua morte provocou uma onda de contestação e vários protestos no estado de Illinois.

As ameaças por parte das autoridades foram denunciadas num documento de mais de três mil páginas sobre o caso, segundo a CNN. Os advogados dos familiares de Laquan McDonald acusam ainda a polícia de ter inventado uma história que as testemunhas e vários agentes foram obrigados a confirmar.

"Não foram só os agentes na rua," explicou o advogado Jeffrey Neslund à CNN, acrescentado que também "o tenente, sargento e detetives" do caso mentiram. "Foi divulgada uma falsa história pela polícia com mentiras inteiramente ditas para disfarçar um tiroteio ilegal", continuou o advogado.

Jason Van Dyke, o agente da polícia condenado em novembro de 2015 pelo homicídio de Laquan McDonald, afirmou que disparou pois temia pela sua vida no momento. O jovem de 17 anos tinha uma faca.

Um vídeo gravado pelas câmaras nos carros patrulhas e divulgado no ano passado mostra McDonald a correr, aparentemente, a afastar-se de um grupo de agentes, quando foi atingido pela primeira vez. Depois, vê-se o jovem estendido no chão, onde aparentemente é baleado mais vezes, e um agente não identificado a aproximar-se e chutar uma faca que McDonald segurava na mão. Havia pelo menos cinco agentes da polícia de Chicago na cena.

Reproduzimos aqui o vídeo - atenção: pode impressionar as pessoas mais sensíveis:

Jason VanDyke foi o primeiro polícia na cidade de Chicago em 35 anos a ser condenado por homicídio devido a um incidente ocorrido durante o serviço. Segundo o The Guardian, nos primeiros oito dias do ano 2016 12 pessoas morreram pelas mãos ou sob custódia da polícia nos Estados Unidos.

Segundo o advogado, um dos motoristas que assistiu à cena com o filho foi mandado embora do local pela polícia ou seria preso. Outras três testemunhas, incluindo uma mulher, que se encontravam perto, num restaurante Burger King, e dizem ter assistido ao tiroteio, foram levadas para a esquadra da polícia e interrogadas durante horas em separado. Um deles contou ao advogado que o polícia estava "visivelmente zangado" e, quando ele contava o que tinha visto o polícia respondia: "Não, estás errado". "Um dos agentes disse que me ia apanhar", afirmou o advogado à CNN, citando a mulher que diz ter visto tudo.

Por outro lado, durante a investigação, quando os advogados pediram para examinar os depoimentos das testemunhas foi-lhes dito que não havias testemunhas viáveis. Segundo as informações agora fornecidas no relatório, três pessoas que estavam próximo do local afirmaram à polícia que, ou não tinham visto e ouvido nada, ou só repararam na cena quando Laquan McDonald já estava morto no chão. Outras duas contaram que viram a perseguição policial mas não o tiroteio.

Segundo Joey Jackcon, analista criminal da CNN, este tipo de acusações pode afetar gravemente a imagem da polícia de Chicago pelo envolvimento de agentes de vários níveis. "A questão que se torna importante é: Quem sabia sobre isto?"

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