Suspeito apareceu em documentário com bandeira do ISIS em Londres

Suspeito de ser um dos autores do atentado apareceu num documentário sobre o movimento jihadista em Londres

Um dos suspeitos do atentado de sábado em Londres, que fez 7 mortos e pelo menos 48 feridos, terá aparecido num documentário sobre o extremismo islâmico gravado nesta mesma cidade há alguns anos e exibido em 2016, avança a imprensa britânica.

O jovem de 27 anos, de Barking, no leste de Londres, não é identificado na imprensa através do nome, já que a polícia ainda não revelou publicamente os nomes, mas a sua identidade já é conhecida pelas autoridades, como confirmou a primeira-ministra Theresa May esta segunda-feira de manhã.

O homem foi também identificado por vizinhos que viram imagens dos três terroristas após estes serem mortos pela polícia britânica. A confirmar-se, é um dos que aparecem no filme a rezar para uma bandeira do Estado Islâmico num parque de Londres, diz o Telegraph. O documentário "The Jihadis next door" (Os jihadistas da porta ao lado, numa tradução para português) começou a ser gravado em 2014 e foi exibido no Channel 4 no Reino Unido em janeiro de 2016.

Segundo os jornais britânicos, o homem identificado apenas como Abz é um dos que aparece nas filmagens a pregar o extremismo islâmico no Reino Unido. No documentário, Abz surge ao lado de extremistas já conhecidos pelas autoridades.

Abz tinha sido denunciado às autoridades antiterrorismo do Reino Unido pelo menos duas vezes nos últimos anos, segundo o jornal Telegraph.

Os vizinhos contaram ainda que Abz tinha nascido no Paquistão e crescido no Reino Unido e que desde que se tinha radicalizado que tentava converter outras pessoas. "Começou a parar os vizinhos nas ruas e a perguntar se eles já tinham rezado ou quando foi a última vez que foram à mesquita", continuou Azak.

Erica Gasparri, outra vizinha de Abz, contou que denunciou o homem à polícia há dois anos porque ele estava a tentar converter os filhos dela ao islamismo. A vizinha disse que confrontou Abz quando os dois filhos lhe disseram que queriam ser muçulmanos.

Ao todo, sete pessoas foram mortas durante o ataque de sábado à noite, duas das quais de nacionalidade estrangeira: a canadiana Chrissy Archibald e um francês que ainda não foi identificado. Pelo menos 48 pessoas foram feridas, 36 pessoas continuam hospitalizadas, algumas em estado considerado muito grave e 21 em estado crítico, várias das quais também de nacionalidade estrangeira.

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