Temer perde o 14.º ministro em 19 meses de governo

Titular da pasta do Trabalho demitiu-se "por razões pessoais" no dia em que foram conhecidos números negativos do desemprego. Presidente vai nomear 43.º membro do gabinete.

Michel Temer vai começar o último ano do mandato a nomear mais um ministro para o seu gabinete: será o 43.º desde o início das suas funções, em maio de 2016. É a pasta do Trabalho e da Previdência Social que está vaga por causa da demissão, quarta-feira, de Ronaldo Nogueira "por razões pessoais" e "para começar a preparar a reeleição para deputado federal no sufrágio de 2018", lê-se na carta que enviou ao Palácio do Planalto. O 14.º ministro de Temer a abandonar funções, no entanto, tomou a decisão no dia em que os números do desemprego aumentaram.

Apesar da diminuição do desemprego durante a gestão de Temer, dados oficiais dão conta da queda de mais de 12 mil postos de trabalho formais em novembro, o mês em que entrou em vigor a nova reforma laboral, um dos cavalos de batalha de Ronaldo Nogueira. O ministro, que deve ser substituído por Pedro Fernandes, colega no PTB, partido a quem está atribuída a pasta em troca do apoio ao presidente da República durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, já estava desgastado desde a publicação em outubro de uma portaria sobre trabalho escravo.

A norma, que está suspensa dado o clamor nacional e internacional em sentido contrário, impedia a divulgação sem a autorização do governo da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, uma relação com o nome das empresas que empregam trabalhadores em condições análogas à escravidão. Além disso, dificultava a fiscalização, a comprovação e a punição dos eventuais prevaricadores. Queixaram-se os auditores do ministério do trabalho que a portaria era uma afronta à legislação brasileira e às convenções da Organização Internacional do Trabalho.

Antes de Nogueira, os outros 13 ministros caíram por razões variadas. Cinco deles, no contexto da Operação Lava-Jato: Romero Jucá, número dois do governo e presidente do MDB (antigo PMDB), partido de Temer, foi o primeiro, dias após a tomada de posse, por ter sido gravado a dizer que Dilma deveria ser destituída "para fazer um grande acordo nacional e estancar a sangria da Lava-Jato"; se Medina Osório, Advogado-Geral da União, cargo com estatuto de ministro, caiu por se queixar de pressões dos seus pares para "abafar" a investigação, o titular da Transparência Fabiano Silveira, por seu lado, renunciou depois da divulgação de áudios em que dizia que usaria a máquina pública para ajudar amigos envolvidos no caso; Roberto Freire, que tutelou a Cultura, viu o seu nome citado nas delações do empresário Joesley Batista, que gravou Temer; e Henrique Eduardo Alves, íntimo do presidente, demitiu-se dias antes de ser preso por corrupção.

Outro ex-ministro preso após serem descobertos 13 milhões de euros ilícitos na sua casa é Geddel Vieira Lima, que se demitiu quando Marcelo Calero, da Cultura, o acusou de pressões para construir um prédio numa zona preservada no centro de Salvador. Calero também saiu do governo, na sequência do escândalo.

Para assumir cargo no Supremo a convite de Temer, o ministro da justiça Alexandre de Moraes cedeu o lugar a Torquato Jardim, que transitou da pasta da Fiscalização. José Serra saiu dos Negócios Estrangeiros por questões de saúde e João Batista de Andrade, interino da Cultura, recusou ser efetivado no cargo. Finalmente, Antonio Imbassahy e Bruno Araújo, ambos do PSDB, saíram após tensão entre o seu partido e o MDB do presidente.

No total, nove dos 43 ministros de Temer ao longo dos 19 meses de governo são investigados na Lava-Jato. Além do presidente.

São Paulo

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