Temer escolhe aliada do seu partido para PGR

Presidente veta aliado do procurador cessante, nomeia magistrada próxima do seu partido e quebra tradição

Michel Temer escolheu Raquel Dodge como substituta de Rodrigo Janot, cujo mandato acaba em setembro, para o cargo de procuradora-geral. Horas depois de receber uma lista com os nomes dos três subprocuradores mais votados pelos membros do Ministério Público Federal (MPF), o presidente preferiu nomear a segunda classificada dessa lista, Dodge, em detrimento do vencedor, Nicolao Dino. Foi a primeira vez em 14 anos que o chefe de Estado não seguiu a recomendação do MPF.

Nicolao Dino, que recolheu 621 votos, é aliado de Janot, com quem Temer mantém guerra aberta desde que foi denunciado por corrupção passiva na última segunda-feira. Na qualidade de subprocurador eleitoral, Dino recomendou a perda de mandato de Temer por irregularidades cometidas na campanha de 2014, em julgamento realizado no início deste mês. Além disso, é irmão de Flávio Dino, governador do Maranhão pelo PCdoB, partido de oposição ao governo.

Já Raquel Dodge, em quem 587 dos seus pares votaram, é opositora de Janot e considerada próxima da cúpula do PMDB, o partido de Temer e da maioria dos seus principais ministros. Após aprovação do Senado em audição marcada para os próximos dias, pode ser a primeira mulher da história do Brasil no cargo. Embora não seja obrigado por lei a fazê-lo, o presidente da República por tradição mantinha a escolha do MPF - foi assim em 2003 e 2007 com Lula da Silva e em 2013 com Dilma Rousseff, quando aceitou o nome de Janot.

Raquel Dodge, que está no MPF há 30 anos e é mestre em Direito pela Universidade de Harvard, nos EUA, "é considerada uma incógnita", escreveram os especialistas Fabio Serapião e Fausto Macedo no jornal O Estado de S. Paulo. No entanto, em entrevista recente ao jornal Folha de S. Paulo, a nova PGR disse que manterá o trabalho contra a corrupção das operações Lava-Jato, Greenfield, Zelotes e de todos os outros processos em curso, sem recuar nem titubear".

Entretanto, Renan Calheiros, ex-presidente do Senado e até anteontem líder parlamentar do PMDB, demitiu-se. Em causa a votação da reforma laboral, em que está em choque com as diretrizes do partido e do governo. "Não sou marionete", disse. "Não tolero a sua [de Temer] atitude covarde diante do ataque à consolidação do trabalho no Brasil", continuou. Segundo analistas, Renan, investigado na Lava-Jato, age pensando na sua reeleição em 2018 como senador e na do seu filho, governador de Alagoas, já que a aprovação da reforma laboral é manifestamente impopular.

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