Televisão pública convidou muçulmana fundamentalista que defendeu jihadismo

Mulher vestida de niqab defendeu a Guerra Santa em talk show. Estação de televisão está a ser alvo de duras críticas por tê-la deixado participar

A emissora de televisão pública alemã ARD está a ser duramente criticada por ter convidado este domingo para um dos seus programas Nora Illi, representante feminina de um grupo de muçulmanos suíços. Isto porque, além de vestir um niqab, numa altura em que é discutida a proibição do uso de véus em público no país, Illi fez declarações que foram interpretadas como um apelo ao jihadismo.

O tema do programa político apresentado por Anne Will aos domingos era a radicalização de jovens. Entre os convidados estavam um homem cuja filha se juntou ao grupo terrorista Estado Islâmico, um legislador do partido no poder, um especialista no Islão, um imã e Nora Illi. As atenções foram todas viradas para a última, no entanto, pois ela expressou algumas opiniões controversas sobre este assunto, segundo a AFP.

A mulher de 32 anos disse que era compreensível e louvável que os jovens europeus vissem a Síria como a "Terra Prometida" e se juntassem aos grupos de militantes no país.

Não se pode dizer isso na televisão pública

Algumas publicações feitas pela mulher no Facebook foram lidas durante o programa e questionadas pelo apresentador. Publicações como a que diz que os "muçulmanos são reprimidos em todo o mundo" e que o facto de se juntarem ao jihadismo deve ser considerado um ato de "coragem civil".

A mulher voltou a defender estas ideias na televisão e as suas declarações foram interpretadas como um apelo ao jihadismo.

"Isso é propaganda. Não se pode dizer isso na televisão pública", afirmou o especialista islâmico Ahmad Mansur, um dos convidados do programa.

Nas redes sociais, várias pessoas criticaram a escolha de convidados do programa. "Uma convidada de um programa de entrevistas apoia a guerra santa na televisão pública e eu pago a assinatura da TV para isso", afirmou um dos utilizadores.

Nora Illi lançou mais achas para fogueira quando disse que as mulheres muçulmanas não eram oprimidas. "No Islamismo, as mulheres têm vários direitos e possibilidades. Nos não temos de equilibrar a família e a carreira como as outras mulheres. Nós podemos evoluir no nosso papel", afirmou Illi no programa.

"Se uma mulher com um niqab é apresentada como defensora dos direitos das mulheres num programa da televisão pública, então temo que em breve [o presidente sírio, Bashar] al-Assad será apresentado como um especialista em direitos humanos", afirmou Peter Tauber, secretário-geral da CDU, o partido de Angela Merkel, segundo o Daily Mail.

"Aprovação. Provocação. E audiências. Toda a gente vai falar sobre isto amanhã. A crise dos meios de comunicação numa altura dos exageros dos talksowhs", afirmou no Twitter Bilkay Oney, do partido social democrata.

Em sua defesa, a ARD afirmou que a as opiniões e a atitude de Nora Illi foram "expressas e debatidas" durante o programa.

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