Talibãs suicidas matam pelo menos 21 pessoas em universidade

Estudantes falam de professor herói que enfrentou os atacantes com a sua arma. Docente será uma das vítimas mortais

Quatro homens armados espalharam ontem o terror na universidade de Bacha Khan, em Charsadda (noroeste do Paquistão), matando pelo menos 21 pessoas e deixando dezenas feridas, na sua maioria estudantes. Este ataque, reivindicado pelo grupo talibã Tehreek-e-Taliban Pakistan, surge pouco mais de um ano depois do massacre de 132 estudantes numa escola em Peshawar, que fica a cerca de 30 quilómetros.

"A contagem dos mortos no ataque terrorista subiu para 21", disse o chefe da polícia regional, Saeed Wazir, à AFP, sem especificar se o total inclui os quatro atacantes que o exército disse ter abatido. A maioria das vítimas, estudantes, foi abatida a tiro numa residência para rapazes no campus da universidade.

Entretanto, o ataque foi reivindicado pelo grupo talibã Tehreek-e-Taliban Pakistan, tendo um comandante dos insurgentes, Umar Mansoor, confirmado à AFP que "quatro kamikazes" atacaram a universidade. Segundo a mesma fonte, o ataque foi uma resposta à "operação Zarb-e-Azb", uma ofensiva antiterrorista lançada pelos militares que está em curso nas zonas tribais do nordeste do Afeganistão.

Os homens invadiram a universidade de manhã, encobertos pelo nevoeiro, subindo os muros do recinto. Polícia, soldados e forças especiais entraram depois na universidade por via terrestre e aérea, para conterem o assalto, enquanto imagens de televisão mostravam estudantes a fugirem. As operações terminaram cerca de seis horas após o início do ataque.

"Mais de 30 outras pessoas, incluindo alunos, pessoal e guardas da segurança foram feridas", acrescentou o chefe da polícia regional à AFP. O porta-voz do exército, o major-general Asim Bajwa, disse no Twitter que quatro dos atacantes tinham sido mortos.

Os estudantes falaram de um professor herói, designado pela imprensa como Syed Hamid Hussain, que combateu os intrusos, disparando a sua arma. Este professor será uma das vítimas mortais, que, ao que tudo indica, terão sido abatidas com tiros na cabeça.

Este ataque foi semelhante a um assalto talibã a uma escola dirigida pelo exército em Peshawar, em dezembro de 2014, que matou mais de 148 pessoas, a maioria estudantes (132). Na terça-feira, um ataque suicida num mercado nos arredores de Peshawar matou 10 pessoas, além do bombista.

Ataque em Cabul

Pelo menos sete pessoas foram ontem mortas e 25 ficaram feridas num atentado suicida com uma viatura armadilhada perto da embaixada da Rússia em Cabul, informaram fontes oficiais à AP.

De acordo com o chefe da polícia da capital afegã, o general Abdul Rahman Rahimi, entre os sete civis mortos estão duas mulheres. Já o porta-voz adjunto do Ministério do Interior afegão, Najib Danish, adiantou que o ataque ocorreu perto da representação diplomática da Rússia, e que vários veículos ficaram em chamas.

O ataque teve como alvo um autocarro do maior grupo de media do Afeganistão, o Moby Group, proprietário do canal de televisão mais popular do país, a Tolo TV. O autocarro transportava funcionários da empresa.

Este atentado, que não foi reivindicado de imediato, deu-se dois dias após um encontro que juntou representantes da China, Estados Unidos, Paquistão e Afeganistão em Cabul para tentar relançar o processo de paz entre o governo afegão e os talibãs. Os rebeldes têm ameaçado várias empresas de media, tendo em outubro visado diretamente a Tolo TV.

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