Suíça quer usar a sua longa experiência como mediadora

Nos últimos 20 anos, os helvéticos estiveram envolvidos em 20 processos de mediação em 15 países e regiões. Agora ofereceram os seus serviços a Madrid e a Barcelona

A Suíça está em contacto com Madrid e Barcelona para tentar mediar o conflito sobre os desejos independentistas da Catalunha, mas as condições para estabelecer conversações ainda não estão definidas, disse ontem à Reuters o Ministério dos Negócios Estrangeiros helvético. "A mediação só pode ser feita se for pedida por ambas as partes. A Suíça está em contacto com os dois lados, mas as condições para uma mediação ainda não estão estabelecidas nesta fase", afirmou um porta-voz da diplomacia de Berna, após questionado por e-mail. Este responsável descreveu a situação na Catalunha como um assunto de política interna espanhola e garantiu que a Suíça respeita a soberania de Espanha. Na segunda-feira, o presidente da Generalitat já tinha apelado a uma mediação internacional. "Estou disponível para um processo de mediação porque a paz, o diálogo e a negociações fazem parte da nossa natureza política", reforçou Carles Puigdemont na quarta-feira. Sugestão a que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, já respondeu de forma negativa, alegando que "a unidade de Espanha não pode ser objeto de mediação ou negociação".

A Suíça acompanha a situação na Catalunha desde setembro, quando 12 deputados enviaram uma carta ao governo espanhol a apelar "ao diálogo com as autoridades democraticamente eleitas da Catalunha" e sublinhando que "o direito do povo catalão a determinar o seu futuro deve ser respeitado". A 1 de outubro, uma delegação suíça esteve na Catalunha, a convite da Associação de Municípios para a Independência.

A Suíça tem uma longa reputação de credibilidade como país mediador em conflitos internacionais. E que vem desde que, em 1870, o país adotou uma política externa mais ativa, através da organização de arbitragens internacionais e conferências de paz.

O caso mais recente é o clima de crescente de tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, tendo a presidente da Suíça, Doris Leuthard, oferecido, a 4 de setembro, os serviços helvéticos para servir de mediador entre as duas partes. Ou usar o país como local de encontros bilaterais. Dias depois, um ex-diplomata norte-americano e um representante de Pyongyang encontraram-se em Montreux, de forma informal.

Só nas últimas duas décadas, Berna esteve envolvida, segundo a Fundação Suíça para a Paz, em "20 processos em 15 países e regiões", em que se incluem vários tratados de paz que puseram fim a guerras civis. Entre estes estão os processos de paz do Burundi (entre 1997 e 2008), Colômbia (2016), Indonésia (2005-2007), Nepal (2006), Sudão (2002).

Mas nem sempre foram bem-sucedidos, como é o caso da reunificação de Chipre, o conflito israelo-palestiniano, Darfur, Sri Lanka, Uganda e Sara Ocidental.

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