Sri Lanka: bombistas eram licenciados em universidades estrangeiras

Educados, oriundos da classe média-alta, muitos deles eram licenciados em Direito. Um dos homens-bomba estudou no Reino Unido e na Austrália, disse o ministro da Defesa do país.

Um dos bombistas que se fez explodir nos ataques terroristas do Sri Lanka estudou no Reino Unido e na Austrália antes de viajar para o país e se transformar em homem-bomba. Aliás, todos eles seriam licenciados e oriundos de famílias de classe média-alta. A informação foi divulgada pelo ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, que acredita que os ataques podem ter sido financiados pelo Daesh. Um dos nove bombistas era uma mulher, revelou o ministro.

"Acreditamos que um dos homens-bomba estudou no Reino Unido e depois fez uma pós-graduação na Austrália antes de se estabelecer no Sri Lanka", disse Wijewardene, citado pelo Guardian.

O ministro da Defesa já tinha confirmado que muitos dos bombistas suicidas tinham ligações internacionais, tendo vivido ou estudado no exterior.

"Este grupo de homens-bomba é bem-educado e é oriundo da classe média ou média-alta, são financeiramente independentes e as suas famílias são também bastante estáveis ​​financeiramente, o que é um fator preocupante", revelou o ministro. "Alguns deles - julgo - estudaram em vários países, são licenciados - em Direito - são pessoas instruídas".

O número de mortos nos ataques que destruíram várias igrejas e hotéis no Sri Lanka subiu para 359 - há ainda 500 feridos.

Dezoito suspeitos foram presos durante esta madrugada - são já 58 os detidos - disse o porta-voz da polícia Ruwan Gunasekara, mas o primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, alertou que vários suspeitos armados com explosivos continuam em fuga. As autoridades acreditam que pelo menos nove pessoas relacionadas com os ataques terroristas continuam em liberdade.

Wickremesinghe confirmou na terça-feira que havia mais explosivos e terroristas "lá fora", e reconheceu que houve um aviso prévio sobre possíveis ataques. Revelou ainda que houve um ataque fracassado - o alvo seria um grande hotel, o quarto, e que a embaixada indiana também estava na "lista negra" dos terroristas.

Um oficial de segurança do Sri Lanka disse ao Guardian que os alertas para possíveis ataques no Sri Lanka foram comunicados pelas autoridades indianas a 4 e 9 de abril. Outro alerta poderá ter sido emitido pela Índia no sábado à noite, disse fonte da polícia à Reuters.

O autoproclamado Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos atentados de Páscoa através da agência de propaganda AMAQ -- e publicou uma declaração onde afirmava que os seus "combatentes" eram os responsáveis: havia uma lista com os nomes dos homens-bomba e foi divulgado um vídeo onde estes surgiam a jurar lealdade ao Daesh.

Vários especialistas têm dito que apesar de no passado o grupo ter reivindicado ataques que não tinha perpetrado, neste caso poderá estar de facto envolvido nos ataques suicidas. O que não é claro é que estes sejam uma retaliação pelos atentados de Christchurch, na Nova Zelândia, como avançou Ruwan Wijewardene.

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