Solução para gargarejar contra a covid-19? Japoneses esgotam produto

Governador de Osaka falou de um estudo com pacientes com sintomas ligeiros da doença e lançou uma corrida às soluções para gargarejar com iodopovidona no país. Mas especialistas deixam alertas.

O governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, falou na terça-feira de um estudo que mostrava uma carga viral do novo coronavírus mais pequena na saliva de 41 doentes com sintomas leves que tinham usado uma solução para gargarejar com iodopovidona. Resultado: o produto esgotou em algumas farmácias no Japão.

"Talvez até possamos ultrapassar o coronavírus com medicamentos para gargarejar", disse numa conferência de imprensa, citando um estudo em pacientes que estavam em convalescença em hotéis da região e que foi divulgado por um hospital de Osaka. Na mesa à sua frente estavam frascos dos produtos de que falou.

O estudo foi feito pelo Centro Médico Habikino de Osaka, partindo do princípio de que se o vírus presente na saliva de um doente for menor, poderá evitar que os sintomas se tornem mais graves.

Na experiência, os doentes que estavam a recuperar de sintomas leves da covid-19 foram divididos em dois grupos: um gargarejou com a solução de iodopovidona quatro vezes por dia e o outro não o fez. O resultado mostra que 56.3% dos que não usaram a solução continuaram a testar positivo para o novo coronavírus, enquanto apenas 21% dos que gargarejaram testou positivo.

Mas o médico responsável, Akifumi Matsuyana, lembra que apesar de ajudar a reduzir a presença do vírus na saliva, ainda é preciso analisar a relação entre o vírus presente na saliva e o no resto do corpo, assim como se menos vírus na saliva ajuda a diminuir a transmissão.

Mas os peritos estão céticos e alertam que o uso da solução para gargarejar pode levar a um aumento dos falsos negativos. "Acho que este tipo de afirmações pode até levar a um número mais elevado de falsos negativos nos testes PCR", escreveu no Twitter o farmacêutico e especialista Suichi Aoshima, citado pela Reuters, já que fazer os testes depois de usar o germicida iria levar a um registo de níveis inferiores do vírus. "É a mesma coisa do que deixar cair iodopovidona numa amostra de vírus", indicou.

A solução com iodopovidona também não é adequada a todos (é preciso cautela no caso de mulheres grávidas e doentes com problemas da tiroide), havendo ainda quem seja alérgico. Os especialistas alertam ainda que a falsa sensação de segurança pode levar as pessoas a descurar outro tipo de prevenção mais eficaz, como o uso de máscara ou a lavagem frequente das mãos.

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