Sírios querem reconstruir ruínas romanas de Palmira

Observatório diz que forças de Assad controlam um terço da cidade. Apesar da destruição causada pelo Estado Islâmico, vídeo mostra que há muitas estruturas de pé

Os combates continuam intensos junto à milenar cidade de Palmira, que caiu nas mãos do Estado Islâmico em maio e 2015, mas as autoridades sírias já planeiam a reconstrução da Pérola do Deserto. O diretor das Antiguidades e Museus do país, Mamoun Abdelkarim, disse à Reuters esperar que a cidade possa ser totalmente reconquistada nos próximos dias e prometeu restaurar os monumentos romanos "como uma mensagem contra o terrorismo".

Com o apoio da aviação russa, as forças leais ao presidente Bashar al-Assad continuam a avançar e já assumiram o controlo em vários distritos de Palmira. A cidade é uma importante porta de entrada para a região leste da Síria, controlada pelos jihadistas. Imagens divulgadas pela televisão síria mostram várias explosões no interior da cidade, sendo visíveis colunas de fumo a sair dos edifícios atingidos pelas munições disparadas pelos tanques e veículos armados que estão posicionados nos arredores.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, os soldados de Assad e milícias aliadas já controlam um terço da cidade, nomeadamente na parte norte e oeste, e parte da antiga cidade e das ruínas romanas. Também há combates na zona sul. Depois de assumir o controlo de Palmira, o Estado Islâmico dinamitou os templos de Baal Shamin e Bel, assim como torres funerárias e um arco do triunfo, erguido há 1800 anos. A UNESCO, que incluía as ruínas entre o seu património da humanidade, considerou a destruição como "crimes de guerra". As ruínas foram ainda palco de várias execuções.

Abdelkarim disse há Reuters que a ideia será reconstruir os templos que foram destruídos com os destroços que haja no local. "Vamos repor a vida em Palmira", explicou. Apesar da destruição, o responsável pelas antiguidades sírias diz ter ficado mais tranquilizado depois de ver o vídeo das ruínas filmado por um drone. Muitas estruturas antigas continuam de pé, explicou Abdelkarim, incluindo as paredes em redor do templo de Bel, o anfiteatro, as colunas da longa avenida de Palmira e o Tetrápilo - uma plataforma com quatro colunas em cada canto.

A Rússia, que no início do mês anunciou a diminuição do seu envolvimento militar na Síria, tem apoiado fortemente a ofensiva em Palmira. Moscovo diz que em apenas 24 horas procedeu a 40 ataques aéreos, atingindo 158 alvos do Estado Islâmico e matando mais de cem jihadistas. O cessar-fogo acordado entre o governo sírio e a oposição não inclui ações contra o Estado Islâmico.

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