Rússia acusa EUA de "baralhar" investigações sobre uso de armas químicas

"Estamos categoricamente em desacordo com a perspetiva norte-americana que, de facto, está a baralhar os inquéritos sobre casos anteriores" de ataques químicos, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov

A Rússia acusou hoje os Estados Unidos de "baralhar" os inquéritos relacionados com a utilização de armas químicas no conflito na Síria, país que acusou Washington e Paris de "insinuações e mentiras" para lançar a confusão.

Na segunda-feira, fontes da oposição e do Observatório Sírio dos Direitos Humanos denunciaram um presumível ataque com gás cloro perpetrado pelas forças governamentais contra a cidade de Duma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, controlada por fações islamitas.

De Moscovo veio hoje a reação do Kremlin às declarações feitas na terça-feira pelo secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, que acusou a Rússia de ser a responsável, "em última análise", pelo ataque que vitimou pelo menos 21 pessoas, na sua maioria crianças, depois de bombardeamentos com armas químicas em Ghouta Oriental, a leste de Damasco.

"Estamos categoricamente em desacordo com a perspetiva norte-americana que, de facto, está a baralhar os inquéritos sobre casos anteriores" de ataques químicos, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Tillerson estava em Paris para lançar, em conjunto com cerca de 30 países, uma iniciativa para julgar os responsáveis pelos ataques químicos na Síria.

A reunião ocorreu pouco depois de o regime sírio de Bashar Al-Assad ter sido acusado de lançar um ataque com armas químicas contra um enclave rebelde em Ghouta Oriental.

Numa reunião no Conselho de Segurança na terça-feira, o embaixador russo, Vassily Nebenzia, considerou estranho que informações "não confirmadas" sobre o novo ataque surgissem imediatamente antes da reunião de Paris.

Por seu lado, Damasco acusou os Estados Unidos e a França de "mentirem" sobre o uso de armas químicas por parte do exército sírio contra posições rebeldes, considerando que as mentiras se inserem no quadro dos ataques políticos "constantes" à Síria.

"Quem obriga as organizações internacionais no terreno e exerce pressões sobre elas para servir as suas próprias agendas não tem credibilidade, moral ou legal, para ser juiz", afirmou fonte do executivo sírio, citado pela agência noticiosa SANA, garantindo que Damasco sempre deu as condições para a realização de investigações objetivas, imparciais e profissionais" sobre a utilização de armas químicas no país.

Para a fonte, a "obstrução" dos Estados Unidos e da França, visa "impedir quaisquer esforços que contribuam para uma solução para a crise" na Síria.

A polémica surge nas vésperas de um novo ciclo de negociações de paz marcado para quinta e sexta-feira, em Viena, sob a égide das Nações Unidas, que decorre antes de a Rússia organizar um congresso de diálogo inter-sírio, previsto para 30 deste mês, em Sochi.

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