Síria: EUA criticam ofensiva turca em Afrine e alertam para situação humanitária

Washington pede a todas as partes envolvidas no conflito que permitam o acesso de organizações humanitárias

Os Estados Unidos afirmaram hoje estar profundamente preocupados com a situação humanitária relatada após a tomada de Afrine (noroeste da Síria) pelas forças turcas, advertindo Ancara que esta ofensiva desviou as atenções da luta contra os extremistas.

Expressamos reiteradamente a nossa profunda preocupação às autoridades turcas a propósito da situação em Afrine", indicou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, num comunicado.

Na nota informativa, a representante da diplomacia norte-americana realçou que a ofensiva da Turquia, aliada de Washington na NATO, forçou a saída da maioria da população civil, predominantemente curda, daquele enclave controlado até ao passado fim de semana pela principal milícia curda na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG).

Heather Nauert frisou que Washington pede a todas as partes envolvidas no conflito que permitam o acesso de organizações humanitárias para apoiar os deslocados e para desenvolver um programa que permita um regresso seguro e voluntário das pessoas a Afrine "o mais rápido possível".

E acrescentou que os relatos que dão conta da ocorrência de saques dentro da cidade são igualmente preocupantes.

No mesmo texto, Heather Nauert alertou que os confrontos em Afrine desviaram as atenções da luta contra os combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, "permitindo que os extremistas começassem a reconstituir em algumas áreas".

A representante norte-americana salientou ainda que os Estados Unidos continuam comprometidos com o seu aliado na NATO, a Turquia, e com as suas preocupações de segurança, mas que também continuam empenhados na luta da coligação internacional contra os extremistas do EI com os seus parceiros locais, as Forças Democráticas da Síria, aliança de milícias curdas e árabes.

No domingo, o exército turco assumiu o controlo da cidade capital do enclave curdo de Afrine, na sequência de uma ofensiva terrestre e aérea lançada a 20 de janeiro, com o apoio de fações opositoras sírias pró-Ancara.

Ancara acusa as YPG de ser o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado uma organização terrorista pela Turquia, e deseja expulsar a milícia curda desta região.

As YPG são aliadas dos Estados Unidos na luta contra os 'jihadistas' na Síria.

O avanço das forças pró-turcas provocou nos últimos dias um êxodo massivo de civis em Afrine, fazendo temer um novo drama humanitário na Síria que entrou no oitavo ano de guerra, da qual já resultaram pelo menos 511 mil mortos, incluindo 350 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

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