Shutdown revelou fraqueza democrata e incapacidade para aprovar um orçamento

Senadores criticaram líder por ceder na imigração. Financiamento garantido até dia 8 mas país está sem orçamento desde outubro.

O primeiro orçamento da era Donald Trump foi apresentado ao Congresso em março de 2017 - 4,1 biliões de dólares para o ano fiscal que vai de 1 de outubro a 30 de setembro de 2018. Apesar de os republicanos, o partido do presidente, dominarem tanto a Câmara dos Representantes como o Senado ainda em setembro, Trump assinou o prolongamento do financiamento do governo até 8 de dezembro, por falta de entendimento no Congresso. Desde então houve mais quatro prolongamentos, o último dos quais veio pôr fim na segunda-feira ao encerramento do governo que vigorava desde sábado.

Um shutdown, como lhe chamam os americanos, que revelou não só as divisões dentro do Partido Democrata como provou a incapacidade do Congresso americano para aprovar um orçamento. O problema foi agora adiado para 8 de fevereiro. Mas está longe de resolvido.

Depois de o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, ter chegado a acordo com os republicanos para prolongar o financiamento do governo, reabrir o governo e adiar para mais tarde a discussão sobre os dreamers, os 800 mil filhos de imigrantes ilegais chegados aos EUA quando eram menores e a quem a administração Obama deu direito de residência e trabalho, as críticas surgiram dentro do seu próprio partido. "Estou desiludido com esta conversa que sugere uma falsa escolha: ou se financia o governo ou tomamos conta destes miúdos. Podemos fazer ambos", garantiu Kamala Harris ao Politico. A senadora da Califórnia lamenta que o partido não tenha aproveitado a vantagem que tinha ao manter o financiamento do governo em suspenso para obrigar os republicanos a aprovarem o prolongamento do estatuto garantido aos dreamers.

Em setembro, Trump suspendeu o DACA, o programa que protege os direitos destes imigrantes, tendo pedido ao Congresso para encontrar uma solução melhor. O programa termina em março, mas os democratas queriam resolver já a questão, vinculando o futuro dos dreamers ao financiamento do governo. Com 51 dos cem senadores mas a precisar de 60 votos para aprovar o prolongamento do financiamento, os republicanos não conseguiram convencer democratas suficientes a apoiá-los. Num jogo de empurra para saber de quem era a culpa do shutdown, os democratas acusaram os republicanos e Trump de terem recuado depois de concordarem em prolongar o DACA, enquanto os republicanos acusaram Schumer e os democratas de estarem a deixar o governo sem dinheiro quando faltavam ainda quase dois meses para terminar o prazo para decidir o futuro dos dreamers.

Ao chegar a acordo com os republicanos para financiar o governo até 8 de fevereiro, adiando a discussão da imigração, Schumer viu a sua liderança questionada por senadores mais liberais. Isto num ano de intercalares em que os democratas esperam recuperar nas eleições de novembro o controlo de pelo menos uma das câmaras do Congresso.

Trump, por seu lado, reagiu no Twitter, admitindo: "Ninguém sabe se republicanos e democratas vão chegar a acordo sobre o DACA até 8 de fevereiro mas todos vão tentar... com um foco maior na força militar e na segurança fronteiriça. Os democratas aprenderam que um shutdown não é a resposta."

Mas o presidente tinha ontem outras dores de cabeça. O secretário da Justiça, Jeff Sessions, foi ouvido pelo procurador especial Robert Mueller sobre a alegada ingerência da Rússia na campanha de 2016 para influenciar o resultado a favor de Trump. Sessions foi o primeiro membro desta administração interrogado no âmbito da investigação. Mueller estará a tentar levar o próprio Trump a depor.

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