Sergio Moro compara Bolsonaro a Lula e pisca o olho a novos movimentos

O ex-ministro da Justiça brasileiro Sergio Moro comparou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a Lula da Silva e manifestou-se disponível para se juntar a movimentos recém-criados a favor da democracia e contra o fascismo.

Numa entrevista publicada neste domingo no jornal brasileiro Folha de São Paulo, Sérgio Moro disse que a negação do Presidente Bolsonaro face à pandemia da covid-19 compara-se à do ex-chefe de Estado Lula da Silva, quando negava a corrupção nos seus governos.

Ao referir-se à gigantesca operação anticorrupção Lava Jato, que levou à prisão de empresários e líderes políticos, entre eles Lula da Silva, que está em liberdade depois de ano e meio preso, Moro disse que o Partido dos Trabalhadores (PT) deveria "reconhecer os seus erros".

A negação "é a estratégia que eles adotam, negando os crimes que foram praticados durante a presidência do PT, durante o período em que o partido tinha o controlo sobre a [petrolífera estatal] Petrobras junto dos seus aliados, é mais ou menos equivalente à postura do Presidente da República, que nega a existência de uma pandemia no momento atual", disse o ex-ministro, acrescentando: "É um erro isso".

Jair Bolsonaro chegou a minimizar a covid-19, afirmando que se tratava de uma "gripezita" e deixou de usar máscara de proteção na maioria dos atos públicos, como exigem as autoridades de alguns dos estados que visita.

Além disso, sempre se mostrou em desacordo com quarentenas e isolamentos rígidos.

Na entrevista, Sérgio Moro foi cauteloso a comentar sobre aspirações políticas, mas disse estar "aberto" para aderir a movimentos que começam a surgir a favor da democracia e contra o fascismo, com o qual é rotulado Bolsonaro.

Para o ex-ministro, Bolsonaro mostra "evidências de autoritarismo", mas descarta um alinhamento das Forças Armadas com o Presidente num eventual golpe militar aos outros poderes como propõem os apoiantes do líder de extrema-direita nas suas manifestações, todos os fins de semana, principalmente em São Paulo e em Brasília.

O ex-juiz indicou também que confia na Justiça no que respeita às denuncias sobre Bolsonaro, a quem acusam de querer interferir na Polícia Federal, que foi o motivo da sua saída do governo.

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