Sequestro do pirata do ar "instável" termina sem vítimas

Homem que desviou avião da EgyptAir quis "libertar detidas", "falar com representantes da UE" e "falar com a ex-mulher"

Faltava pouco para as sete da manhã em Lisboa, mais duas horas em Chipre, quando o Airbus A320 da EgyptAir aterrou no aeroporto cipriota de Larnaca, no sul do país. O voo MS 181 tinha saído de Alexandria, no Egito, com destino ao Cairo, mas foi desviado cerca de 30 minutos depois da descolagem, quando um passageiro, o egípcio Seif Eldin Mustafa - tal como foi identificado pelos governos do Egito e de Chipre - ameaçou a tripulação com um cinto de explosivos.

O pirata do ar foi detido cerca de seis horas depois do início do sequestro, que terminou sem vítimas a registar: todos os passageiros e tripulação conseguiram sair do avião - nesta altura, não é claro se as últimas pessoas a deixar o aparelho foram libertadas ou conseguiram escapar, depois de as câmaras de televisão captarem a dramática saída de um dos reféns, que saltou pela janela do cockpit. Já o responsável pelo sequestro, ter-se-á rendido, saindo do avião com as mãos no ar, apesar de não haver imagens desse momento. Mais tarde, soube-se que o cinto de explosivos que dizia transportar era falso.

Descrito como "instável" pelos responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Chipre, Mustafa terá pedido para se encontrar com representantes da União Europeia ou voar para outro aeroporto. As informações foram avançadas pelo primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail.

O responsável revelou também que as autoridades irão agora interrogar o pirata do ar para conhecer os seus "verdadeiros motivos", que permanecem um mistério. "A dada altura ele pediu para reunir com um representante da União Europeia e noutros momentos pediu para ir para outro aeroporto, mas nada específico", garantiu o ministro. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Chipre, por seu lado, afastou a hipótese de terrorismo. Tem tudo a ver com uma mulher", garantiu aos jornalistas, na companhia de Martin Schulz, o presidente do Parlamento Europeu, de visita a Chipre.

Motivos passionais?

Durante todo o sequestro, não foi possível apurar com clareza as motivações do homem. Relatos anteriores, não confirmados, garantiam que se tratava de um professor universitário chamado Ibrahim Abdel Tawwab Samaha, com dupla nacionalidade - egípcia e americana - e que teria motivos passionais para desviar o avião. Essa foi, aliás, a primeira versão para os acontecimentos: o homem teria sequestrado o avião exigindo, já no aeroporto de Larnaca, falar com a sua ex-mulher, de nacionalidade cipriota, tendo mesmo chegado a entregar uma carta escrita em árabe para que lha fizessem chegar. Não foi possível confirmar a existência da missiva, mas uma porta-voz da polícia cipriota garantiu que estaria a ser traduzida. Horas mais tarde, a imprensa internacional avançava que a mensagem na carta exigia afinal a libertação de um número não especificado de prisioneiras, detidas numa cadeia egípcia.

A meio da manhã, uma conferência de imprensa do ministro Egípcio da Aviação veio apenas levantar mais questões sobre o sequestro: numa altura em que o sequestrador já deixara sair grande parte dos passageiros e as agências internacionais davam como certo que todos teriam sido libertados, o responsável veio revelar que sete pessoas se encontravam ainda dentro da aeronave: o comandante e o copiloto, uma assistente de bordo, um agente de segurança e três passageiros. "Até ao momento, não temos qualquer exigência efetiva que possamos anunciar", explicou. Sem dar detalhes sobre as pessoas que continuavam a bordo, o responsável respondeu de forma agressiva a um jornalista que o questionou sobre as eventuais falhas de segurança que teriam permitido ao pirata do ar entrar no avião com explosivos. "Acha mesmo que esta é a altura para discutir outras matérias?", terá dito o responsável, citado pela BBC.

O número exato de passageiros no avião mantém-se igualmente um mistério: inicialmente, a companhia avançou com 81 pessoas a bordo, mas as autoridades egípcias corrigiram o número, dando conta de apenas 56 passageiros. No final do sequestro, em comunicado citado pela agência Reuters, o Ministério da Aviação Civil do Egito referiu que 81 pessoas, incluindo 21 estrangeiros e 15 membros da tripulação, estavam a bordo do Airbus A320 desviado.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.