Impeachment. Democratas querem mais testemunhas, republicanos não deixam

Democratas querem ouvir novas testemunhas no processo de "impeachment" contra Donald Trump, mas a maioria republicana do Senado, que agora vai lidar com o caso, já assinalou que travará essa possibilidade

A estratégia dos republicanos, que detêm a maioria no Senado onde vai agora decorrer o processo de impeachment do presidente Donald Trump, é concluir tudo o mais rapidamente possível. Isso mesmo já foi anunciado pelo vice-presidente do Senado, que é do partido republicano, deixando assim antever que não serão chamadas novas testemunhas a depor, para além das que já compareceram na fase anterior de inquérito, na Câmara dos Representantes.

Essa é uma perspetiva que está a agradar ao presidente americano. Tanto que Marc Short, o chefe do staff presidencial, já fez saber que a Casa Branca está em sintonia com um processo rápido no Senado.

"O povo americano está farto desta farsa", afirmou Marc Short no programa Meet the Press da cadeia NBC, sublinhando que "a nossa administração está ansiosa por voltar ao trabalho em prol do povo americano, já tivemos testemunhas suficientes".

Os democratas, porém, não estão de acordo, e pretendem que no julgamento do Senado possam ser ouvidas novas testemunhas que consideram cruciais para o apuramento dos factos.

Foi isso que afirmou, de resto, ao The New York Times o senador democrata Chuck Schumer, referindo um email que foi conhecido este sábado e no qual Michael Duffey, republicano e diretor da agência do Orçamento e Gestão da Casa Branca, dava instruções para a retenção da ajuda financeira à Ucrânia apenas 91 minutos depois da chamada telefónica entre Donald Trump e o seu homólogo ucraniano Volodymir Zelensky.

O que está em causa é um alegado pedido de investigação do presidente Trump à Ucrânia sobre um seu rival político, a troco de ajuda internacional, e os democratas querem chamar Michael Duffey a depor, para esclarecer a questão.

Dada a maioria republicana no Senado, no entanto, é muito pouco provável que venham a ser ouvidas novas testemunhas nesta fase. O processo deve avançar no Senado já em janeiro e os republicanos pretendem resolver o mais rapidamente possível a questão, de forma favorável ao presidente, até porque o próximo ano é de eleições e prolongar o processo poderia ser contraproducente para o atual inquilino da Casa Branca.

Donald Trump é o terceiro presidente dos Estados Unidos destituído pela Câmara dos Representantes, depois de Andrew Johnson e Bill Clinton. Nenhum dos dois anteriores chegou no entanto a ser afastado do cargo, uma vez que no Senado, a quem cabe realizar um julgamento, não houve os dois terços favoráveis, que é a condição para a destituição. Tudo indica que Donald Trump lhes vai seguir as pisadas.

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