Segundo suspeito do caso Skripal foi condecorado por Putin

O homem foi condecorado "pessoalmente por Vladimir Putin".

O segundo suspeito da tentativa de envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal em março em Inglaterra foi condecorado por ato heroico pelo presidente russo, Vladimir Putin, em 2014, indicou esta terça-feira o site de investigação Bellingcat.

O homem, um médico militar que trabalha nos Serviços Secretos Militares Russos (GRU), foi identificado pelo Bellingcat na segunda-feira como sendo Alexandre Yevgenïevich Michkin.

O suspeito tinha sido identificado pela polícia britânica como Alexandre Petrov, o nome que constava do seu passaporte, mas que a polícia admitia poder ser um pseudónimo.

O homem foi condecorado "pessoalmente por Vladimir Putin", precisaram o fundador do Bellingcat, Eliot Higgins, e o investigador Christo Grozev, durante uma conferência de imprensa no parlamento britânico, possivelmente devido às suas atividades na Crimeia, anexada pela Rússia, ou no resto da Ucrânia.

Citaram uma fotografia mostrando o presidente russo a apertar-lhe a mão e exibida pela avó do suspeito aos habitantes da localidade de Loyga, no norte da Rússia, onde ele cresceu.

O site Bellingcat não encontrou a avó, mas sim habitantes que viram a fotografia.

Segundo o Bellingcat, Alexandre Yevgenïevich Michkin nasceu a 13 de julho de 1979 em Loyga, na Rússia.

Estudou Medicina na academia militar de São Petersburgo e foi recrutado pelo GRU "antes de 2003". Mudou-se para Moscovo em 2009 sob a identidade de Alexandre Petrov, segundo o percurso reconstituído pelo Bellingcat com a ajuda do site de investigação russo Insider.

Participou em operações secretas entre 2011 e 2013 na Transdniestria e na Ucrânia, assim como em operações militares neste país em 2014.

A 26 de setembro, o Bellingcat revelou a identidade do outro suspeito de envenenamento de Skripal, apresentado pela polícia britânica como Ruslan Boshirov.

Trata-se do "coronel Anatoli Tchepiga, um oficial dos GRU condecorado com altas distinções", afirmou.

Os dois homens são acusados pela polícia britânica de estarem na origem do envenenamento com Novitchok (um forte gás neurotóxico criado pelos militares soviéticos) do ex-espião duplo Serguei Skripla e da sua filha, Yulia, a 4 de março deste ano em Salisbury (sudoeste de Inglaterra).

A 12 de setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que sabia quem eram os dois homens acusados por Londres e assegurou que eles eram civis, nada tendo feito de "criminoso".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG