Segundo homem mais rico do Brasil indiciado por negociação de subornos

Safra é acusado de negociar 3,7 milhões de euros de subornos para obter decisões favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

Joseph Safra, maior acionista do Banco Safra e apontado pela revista Forbes como o segundo homem mais rico do Brasil, foi acusado pela Procuradoria da República do Distrito Federal de negociar subornos, noticiou hoje o jornal Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, Safra é acusado de negociar 15,3 milhões de reais (3,7 milhões de euros) de subornos para obter decisões favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

A denúncia foi feita com base nas investigações da Operação Zelotes, que apura esquemas de sonegação de impostos e pagamentos de subornos para anulação de multas da Receita Federal. O Ministério Público indicou que os pagamentos teriam sido propostos na tentativa de obter favores em três processos da JS Administração de Recursos, uma das empresas do grupo Safra, que tem multas acumuladas de 1,8 mil milhões de reais.

Além de Safra, o ex-diretor da instituição João Inácio Puga, foi também acusado de ser o intermediário do banco na apresentação do suborno. "Um mero diretor não poderia, como realmente não o fez, tomar decisões que envolviam dívidas correspondentes a 42,6% do capital social (da empresa) [...] As decisões eram com o acionista majoritário, Joseph Safra", destaca a Folha, citando parte da denúncia realizada pelo procurador Frederico Paiva, responsável pelo caso.

Ambos negam que tenham oferecido vantagem aos funcionários da Receita Federal. O advogado do banco Safra disse ao jornal que "nenhum representante da JS Administradora ofereceu vantagem (suborno) para qualquer funcionário público".

Filho de uma família judia com origem na Síria, Joseph Safra nasceu no Líbano em 1938 e imigrou para o Brasil em 1962, tendo-se naturalizado brasileiro e criado o Banco Safra.

Joseph Safra tem uma fortuna pessoal estimada em 17,3 mil milhões de dólares (15,1 mil milhões de euros), segundo a revista Forbes.