Se necessário, May diz-se disposta a usar arsenal nuclear

Boris Johnson reuniu-se em Bruxelas com homólogos europeus, mas não pediu desculpa por ter comparado a UE a Hitler

A pergunta, durante o debate no parlamento britânico, saiu da boca de George Kerevan, deputado pelo Partido Nacionalista Escocês: "Está pessoalmente preparada para autorizar um ataque nuclear que poderia matar 100 mil homens, mulheres e crianças inocentes". A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, respondeu: "Sim. E devo dizer aos honoráveis senhores aqui presentes que toda a ideia de dissuasão implica que os nossos inimigos saibam que estaríamos dispostos a fazê-lo". Em causa está a renovação do Trident, o programa britânico de submarinos nucleares.

Enquanto que a maioria dos deputados do Partido Conservador é a favor da substituição total do armamento em causa, a questão gera divisões no interior do Partido Trabalhista. Jeremy Corbyn, líder do Labour, defende o desarmamento nuclear total: "Quero deixar muito claro que eu não tomaria uma decisão que mataria milhões de inocentes. Não acredito que a ameaça de homicídio em massa seja uma forma legítima de gerir as relações internacionais".

Corbyn sublinhou ainda que o arsenal britânico é composto por 40 ogivas, sendo que cada uma delas é oito vezes mais potente do que a bomba atómica de Hiroxima. "Que ameaça é essa que enfrentamos que é preciso um milhão de potenciais mortos para a dissuadir?", questionou o líder trabalhista.

Em matéria de relações internacionais, Boris Johnson estreou-se ontem fora de portas nas suas novas funções como ministro dos Negócios Estrangeiros ao reunir-se com os seus homólogos europeus em Bruxelas. De acordo com Jean-Marc Ayrault, chefe da diplomacia francesa que na semana passada chamou "mentiroso" ao ex-mayor de Londres, Johnson adotou uma postura de "alguma humildade", mas não pediu desculpa por, durante a campanha do brexit, ter comparado a União Europeia com Adolf Hitler.

O novo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros reafirmou que o Reino Unido vai deixar a UE, mas não a Europa. Durante esta semana, Theresa May irá visitar a Alemanha e a França para encontrar-se com Angela Merkel e François Hollande.

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