Se a situação na Grécia se extremar, poderá haver "algum contágio" em Portugal

Para o economista Ricardo Paes Mamede, mais importante do que o que se passa na Grécia é saber a política de compras do BCE

Os holofotes estão na Grécia, mas se a situação se extremar, designadamente com a falta de um acordo entre o governo helénico e os credores internacionais sobre um novo resgate, poderá haver algum contágio nos restantes países periféricos, nomeadamente em Portugal. Quem o diz é Marisa Cabrita, gestora de ativos da Orey Financial.

"Num ambiente em que o aumento do prémio de risco tem sido transversal, com eventos de risco, como o brexit, a fragilidade do setor financeiro europeu e a eleição de Donald Trump a contribuírem para este cenário, caso a situação na Grécia se extreme, poderemos ver algum contágio aos restantes países periféricos, nomeadamente as yields portuguesas", afirma a analista num comentário ao DN/Dinheiro Vivo.

A gestora de ativos da Orey Financial considera, no entanto, que, "embora a posição adotada pelos diferentes intervenientes pareça bastante rígida, parece pouco provável que as entidades envolvidas permitam que se chegue a uma situação-limite, quando o passado recente mostrou a permeabilidade da zona euro a este tipo de eventos, nomeadamente em 2010 com a própria Grécia".

Marisa Cabrita não tem dúvidas de que, "caso um acordo não seja alcançado, o país poderá ver-se novamente numa situação difícil já em julho, momento em que tem de fazer face a reembolsos aos seus credores".

Uma coisa é certa: os juros da dívida grega a dois anos voltam a atingir níveis acima dos 9% no mercado secundário. Uma situação que decorre da intensificação da "resistência" entre os credores internacionais e o governo de Tsipras nos últimos meses. Tudo por causa do "desacordo" sobre as potenciais medidas de alívio dos níveis de dívida grega e "que impede que o FMI participe no terceiro resgate concedido em 2015", e ao "bloqueio" da segunda avaliação ao cumprimento do memorando "com novas parcelas da ajuda financeira igualmente suspensas".

Já Ricardo Paes Mamede, professor de Economia Política no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, não consegue "estabelecer nenhuma relação entre os juros em Portugal com qualquer coisa que se tenha passado na Grécia".

"Neste momento, a preocupação fundamental é saber se o BCE vai mesmo atingir os limites de compra de dívida pública portuguesa ou se vai encontrar uma forma de contornar essa limitação", afirmou em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.

O economista salienta que "os sinais" dados pelo BCE vão no sentido de que "não há forma de contornar essa limitação e, não havendo forma, qualquer acidente de percurso em qualquer parte do mundo que faça aumentar as taxas de juros vai tornar os investidores mais nervosos, o que poderá levar a uma escalada das taxas de juro".

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