Schulz em modo candidato ataca extrema-direita e Trump

Ex-presidente do Parlamento Europeu com mensagem para conquistar a classe trabalhadora e a população rural. E nunca falou diretamente no nome de Angela Merkel

Martin Schulz, nomeado ontem por unanimidade como líder do SPD e candidato do partido a chanceler, prometeu agitar as eleições de 24 de setembro e roubar a vitória a Angela Merkel com uma campanha destinada a superar as "profundas divisões" que, segundo ele, têm alimentado nos últimos anos o populismo na Alemanha.

"O SPD está a viver tempos de mudança. Queremos aproveitar esse momento", declarou Schulz, de 61 anos, pouco depois de o comité executivo do partido o ter nomeado por unanimidade como o candidato a chanceler. Esta nomeação será formalizada numa votação marcada para 19 de março.

Falando perante cerca de mil pessoas na sede do SPD em Berlim, o ex-presidente do Parlamento Europeu garantiu que irá lutar por leis fiscais mais justas, melhor educação e para garantir que a população rural terá os mesmos benefícios que a das grandes cidades. "É importante para mim que os trabalhadores deste país, que cumprem as regras, que tomam conta dos seus filhos e muitas vezes também dos seus pais, que muitas vezes, apesar de terem dois salários mal dão para as contas, que estas pessoas e as suas preocupações sejam o ponto fulcral da nossa política", referiu.

Nunca se referindo a Merkel pelo nome no seu discurso de cerca de uma hora, Martin Schulz falou porém na "humilhação diária" causada pelas lutas internas que dividem a CDU da chanceler.

Schulz pediu ainda uma maior solidariedade na Europa em relação aos migrantes e descreveu as ações do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que tem resistido às tentativas de a UE coordenar esta questão, como "uma afronta" à união da Europa. E aproveitou para criticar a CSU, aliada de Merkel no governo, por apoiar as posições de Orbán.

As críticas do ex-líder europeu estenderam-se também ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao que Schulz chamou de "ultrajantes e perigosos" ataques contra mulheres, minorias religiosas, pessoas com deficiências e outras. "Ele quebrou um tabu de forma intolerável", sublinhou. "Tenho a certeza de que quando líderes europeus forem a Washington irão explicar ao governo dos Estados Unidos que o direito internacional e os direitos humanos também se aplicam a Donald Trump", disse ainda.

Voltando a sua atenção para o plano interno, o agora líder dos sociais-democratas atacou o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) e o seu apoio à Frente Nacional francesa, afirmando que os alemães experienciaram durante o nazismo até onde pode levar o "nacionalismo cego".

"O partido de Höcke, Gauland e Petry não é alternativa para a Alemanha, mas sim uma desgraça para a Alemanha", disse Schulz, referindo-se às declarações anti-Holocausto feitas por Björn Höcke.

Fim da coligação?

Numa jogada-surpresa conhecida na quinta-feira, o SPD decidiu nomear Martin Schulz para substituir o atual líder, Sigmar Gabriel, que anunciou que iria afastar-se para aumentar as probabilidades do partido de obter um bom resultado nas eleições de 24 de setembro.

O ainda vice-chanceler, e entretanto empossado como ministro dos Negócios Estrangeiros, garantiu que o SPD, de centro-esquerda, tem a séria intenção de abandonar a coligação com a CDU, de direita, de Angela Merkel. Uma "grande coligação" que está no poder desde 2013. "A Alemanha precisa de um novo começo, que não pode ocorrer com a CDU", declarou Gabriel. "Chegámos ao fim do que podemos conseguir com uns conservadores divididos", prosseguiu o vice--chanceler referindo-se à CDU de Merkel e aos seus aliados da CSU.

Schulz passou os últimos 23 anos no Parlamento Europeu, mas uma sondagem publicada na quarta-feira mostra que mais de dois terços dos alemães pensam que é a pessoa certa para se candidatar e que se as eleições fossem agora teria tantos apoios (41%) quanto Merkel.

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