Sarkozy parte à reconquista dos franceses com um livro "muito pessoal"

Em queda em várias sondagens, o ex-presidente lança 'La France pour La Vie' na segunda-feira. Um 'mea culpa' sob a forma de livro a pensar nas presidenciais de 2017.

Foi com o livro Libre que em 2002 Nicolas Sarkozy marcou o seu regresso à política. E em 2006 e 2007, o sucesso de Témoignage e Ensemble contribuiu para a sua eleição para o Eliseu. Passados 14 anos, o ex-presidente, derrotado em 2012 por François Hollande, espera que La France pour la Vie (A França para Sempre, numa tradução livre) lhe permita reconquistar os franceses e cumprir o sonho de voltar à presidência nas eleições de 2017.

É verdade que faltam dez meses para as primárias d"Os Republicanos (a antiga UMP), mas as sondagens não só mostram que Sarkozy perderia a eleição no partido para Alain Juppé (29% contra 38%), como o ex-primeiro-ministro derrotaria tanto Hollande como a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, numa eventual segunda volta das presidenciais em que Sarkozy não conseguiria melhor do que um empate com o atual presidente.

Perante este cenário, Sarkozy não podia ficar parado. O homem que governou França entre 2007 e 2012 recorreu ao Facebook para promover o novo livro, cujo lançamento está previsto para dia 25. "Quis fazer este esforço de ir procurar, ao fundo de mim mesmo, a minha verdade sobre os meus erros e sobre as minhas vitórias. Quero dizer-vos, sem artifícios, o que verdadeiramente fiz, e aquilo em que acredito para o futuro", escreveu Sarkozy.

São 270 páginas de um mea culpa político cuja capa só quinta-feira foi revelada por Sarkozy no Twitter. O ex-presidente, que dia 28 faz 61 anos, pretende assim apresentar a sua verdade sobre os tempos no Eliseu, mas garante: "Este livro não é uma declaração de candidatura às próximas eleições presidenciais", escreve Sarkozy. Sobre os tempos que se seguiram à derrota frente a Hollande em 2012, o ex-presidente garante que foram "anos felizes" e que perder as eleições o deixou "apaziguado".

O antigo chefe do Estado terá aproveitado as festas para terminar de escrever o seu último livro no maior dos secretismos. E até a escolha da editora Plon, a mesma que publicou as obras do general Charles de Gaulle, te m uma valor simbólico. Com uma primeira edição de 120 mil exemplares, La France pour la Vie é apresentado como um livro "muito pessoal. E a verdade é que nele Sarkozy, que se divorciou da segunda mulher, Cécilia, pouco depois de chegar ao Eliseu, garante estar "disposto a tudo para proteger a família" e que foi por isso que "quis casar com Carla [Bruni] tão rapidamente". A cantora e ex-modelo e o ex-presidente casaram em 2008 e têm uma filha, Giulia.

Entre os adversários políticos, o livro de Sarkozy é aguardado com ceticismo. Alain Juppé, o seu grande rival nas primárias d"Os Republicanos ironizou sobre esta "grande produção literária", recordando ter também recebido o último livro do ex-secretário-geral da UMP Jean-François Copé com "uma dedicatória muito simpática".

Copé, Sarkozy, mas também Juppé - com os livros-programa Mes Chemins pour L"école (Os meus Caminhos para a Escola) e Pour un Etat Fort (Por um Estado Forte) - e o ex-primeiro-ministro François Fillon com Faire (Fazer) encheram nas últimas semanas os escaparates das livrarias francesas de livros políticos. Também candidato às primárias d"Os Republicanos, Fillon não poupou críticas a Sarkozy e à sua decisão de escrever um livro a reconhecer os seus erros. "Fui o primeiro a fazer essa autocrítica. Há três anos. E fui muito criticado por isso, inclusive por Sarkozy", disse na rádio Europe1 o chefe do governo.

Mal amado nas sondagens

Depois de uma sondagem BVA para a iTélé ter revelado que 80% dos franceses não desejam ver Sarkozy apresentar-se às presidenciais do próximo ano, as más notícias continuaram com outro estudo, da BFMTV, segundo o qual 63% dos inquiridos não têm saudades dos tempos em que o agora líder d"Os Republicanos estava no Eliseu.

E até em Neuilly-sur-Seine, aquele subúrbio de Paris onde o ex-presidente começou a carreira como autarca, Sarkozy já não convence. "Não voltarei a votar nele", garantiu à BFMTV Marie-Joée, reformada de 67 anos que confessa já ter estado "obcecada por ele a determinado momento", mas "após cinco anos na presidência, não deixou o país em boas condições". Sylvie, 50 anos, vai mesmo mais longe, comparando o ex-presidente a "um pequeno Napoleão que quer voltar para o trono". Também a vida pessoal do ex-presidente merece críticas. "Em vez de ser um político, acha que é uma estrela", garante à estação de televisão outro residente de Neuilly.

Impassível a isto tudo, Sarkozy já voltou à estrada e a partir da próxima semana começa a promover o seu livro. Encontros com apoiantes, entrevistas, sessões de autógrafos... Tudo ocasiões para o ex-presidente tomar o pulso aos eleitores e convencê-los que merece uma segunda oportunidade no Eliseu.

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