Sánchez só deverá dizer "nim" se Rivera disser que sim

A primeira votação de investidura será a 3 de agosto. Se for necessário ir a votos, terceiras eleições terão lugar a 27 de novembro

Quase três semanas depois das eleições de 26 de junho e Espanha não desata o impasse político. A hipótese de umas terceiras eleições, classificadas por todos os intervenientes como "uma loucura", começa a deixar de ser um cenário impossível.

Pelo calendário que Mariano Rajoy, líder do PP, discutiu informalmente com os jornalistas, a nova consulta aos eleitores - se falharem as tentativas de investidura - cairá a 27 de novembro.

No final da primeira ronda de contactos com os partidos, que terminou na quarta-feira, as contas são fáceis de fazer: Rajoy continua sem qualquer apoio para somar aos seus 137 deputados - são necessários 176 para a maioria absoluta.

Albert Rivera, do Ciudadanos, anunciou que votará contra na primeira sessão de investidura, que deverá acontecer a 3 de agosto, e que, na segunda votação, 48 horas depois optará pela abstenção.

Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, foi tudo menos claro nas declarações que fez no fim da reunião com o presidente do PP. Segundo a imprensa, o encontro decorreu num ambiente afável, mas, mesmo assim, não houve fumo branco. O líder dos socialistas disse que, "ao dia de hoje", a posição do PSOE é "não". E acrescentou que entre os 137 deputados e os 176 há um longo caminho a percorrer e que o PP deve procurar "potenciais aliados", ressalvando que os socialistas não fazem parte dos possíveis parceiros.

Para resolver o imbróglio, a única possibilidade parece ser o Ciudadanos dizer que "sim" em vez de abster-se. Dessa forma, Rajoy passaria a contar com 169 votos a favor e Sánchez ver-se-ia quase obrigado a oferecer a Rajoy a abstenção.

Nenhuma das soluções é politicamente simpática para o líder dos socialistas. Caso se mantenha intransigente no "não" todos lhe apontarão o dedo por empurrar o país para um terceiro ato eleitoral. Se optar pela abstenção, as bases do partido dirão que foi ele a promover a continuidade de Rajoy no poder.

A avaliar pelas declarações de Sánchez há uma coisa que parece certa: o PSOE só ponderará abster-se caso Rajoy tenha o "sim" do Ciudadanos. Mas Rivera praticamente garante que não irá tão longe. Em editorial, o El Mundo define a situação como uma "partida de póquer jogada a três".

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