Sánchez: "Se depender de Iglesias nunca serei presidente"

Sondagens colocam PSOE em terceiro lugar, atrás da coligação entre o Podemos e a Esquerda Unida

Pedro Sánchez decidiu dar descanso a Mariano Rajoy e apontar as armas a Pablo Iglesias. Ontem, num pequeno-almoço com jornalistas, o secretário-geral dos socialistas espanhóis (PSOE) reservou os principais golpes para o líder do Podemos - que irá apresentar-se às eleições coligado com a Esquerda Unida, de Alberto Garzón.

"Iglesias passou da cal viva a oferecer-me livros sobre basquetebol e a prometer-me amor eterno, mas não há nada que ele ame mais do que a si próprio", afirmou o líder do PSOE. Sánchez acredita que nunca chegará à chefia do executivo se para isso tiver de contar com o apoio do Podemos: "Se depender dos votos dele estou convencido de que nunca chegarei a presidente do governo. Votar em Iglesias é votar contra o PSOE."

Esta radicalização do discurso contra o Podemos - conferindo-lhe quase o estatuto de principal adversário do PSOE - pode ser lido à luz das últimas sondagens. Depois de celebrado o acordo entre Iglesias e Garzón, que se apresentarão a eleições coligados e com a designação de Unidos Podemos, o PSOE perdeu o segundo lugar nas estimativas eleitorais. Confirmando-se nas urnas um resultado deste tipo - na eventualidade de Rajoy não conseguir formar governo e ser necessário voltar às negociações entre partidos para tentar encontrar uma solução - passaria a ser Iglesias a dar as cartas, ganhando ascendente sobre Sánchez.

Essa é aliás a principal novidade da mais recente sondagem do El País, divulgada no fim de semana. O Partido Popular de Rajoy mantém a liderança nas intenções de voto, com 29,9% (subida de 1,2 pontos percentuais face às eleições de 20 de dezembro), e em segundo aparece a coligação Unidos Podemos com 23,2%. Um resultado que confere à aliança de esquerda uma vantagem de três pontos percentuais sobre os socialistas, que registam apenas 20,2% (queda de 1,8 pontos). A quarta força, com 15,5%, é o Ciudadanos, de Albert Rivera, que reforça a votação em 1,6 pontos.

Se as eleições do próximo dia 26 de junho confirmarem o resultado desta sondagem, Espanha voltará a ver-se num impasse político muito semelhante ao que resultou das eleições de 20 de dezembro.

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