Sánchez resiste à pressão apesar de acordo Rajoy-Rivera

No quinto encontro desde 20 de dezembro, socialista vai repetir "não" ao dirigente do PP, que tem agora o apoio de 170 deputados

Com o "sim" garantido de 170 deputados e um acordo com o Ciudadanos que inclui uma centena de medidas aprovadas no passado pelos socialistas, o líder do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, reúne-se hoje com o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, numa última tentativa para conseguir que este não inviabilize a sua investidura. É o quinto encontro de ambos desde as eleições de 20 de dezembro, mas será uma surpresa se não terminar como todos os outros: sem acordo.

"Vou dizer ao secretário-geral do PSOE o mesmo que lhe digo desde 21 de dezembro, mas agora com 170 deputados. Que ninguém tem maioria, que nesta ocasião o PP tem mais votos e deputados. Vou dizer-lhe que Espanha precisa de um governo com urgência e que umas terceiras eleições são um disparate", afirmou ontem Rajoy, depois de confirmado o acordo que lhe garante o apoio dos 32 deputados do Ciudadanos de Albert Rivera.

O encontro entre Rajoy e Sánchez é às 13.00 (12.00 em Lisboa) no Congresso dos Deputados, onde amanhã o primeiro-ministro em funções discursa na abertura do debate de investidura. Um dia depois, haverá a primeira votação, na qual o líder do PP precisa de maioria absoluta (176 deputados) para ser eleito. Dois dias depois, só precisa de maioria simples (mais "sim" do que "não"), repetindo os apelos para que pelo menos 11 socialistas optem pela abstenção para viabilizar a formação de um novo governo do PP.

Sánchez não reagiu ontem à assinatura do acordo entre PP e Ciudadanos, mantendo o silêncio no Twitter onde tem em destaque uma mensagem de 20 de agosto: "O nosso "não" a Rajoy é um "sim" à regeneração, ao emprego digno e à justiça social. O nosso "não" a Rajoy é um "sim" à mudança."

Após as eleições de 20 de dezembro, Rivera negociou um pacto de governo com o PSOE para tentar a investidura de Sánchez - os dois somavam então 130 deputados e o líder socialista não conseguiu a eleição. Agora, o dirigente do Ciudadanos negociou com o PP um acordo que soma 170 deputados (contando com o voto positivo da única representante da Coligação Canárias).

Contudo, o acordo só é válido até 2 de setembro, isto é, a segunda votação de investidura. Depois dessa data, Rivera deixa em aberto a sua posição, com Rajoy confiante de que voltará a apoiá-lo caso arrisque submeter-se a nova votação, no prazo de dois meses que prevê a Constituição até à dissolução das Cortes e convocação de novas eleições para 25 de dezembro.

Na apresentação do acordo, Rivera deixou um recado a Sánchez, lembrando-lhe que cem dos 150 pontos acordados agora com o PP já estavam no pacto de governo assinado com o PSOE. "Cem medidas foram assinadas por Pedro Sánchez e por mim. Penso que o aprovado pelos militantes do PSOE deve ser aplicado", pedindo ao líder socialista que faça uma "oposição responsável". E avisou: "O que não pode fazer é abster-se de Espanha, ignorar Espanha."

Questionado sobre o facto de algumas medidas acordadas com o Ciudadanos representarem um retrocesso em relação ao seu primeiro mandato, Rajoy diz que este é "um bom programa para Espanha" e lembrou que "a essência do acordo é ceder". O documento foi assinado pelos porta-vozes parlamentares e não por Rajoy e Rivera, que o selaram só com um aperto de mãos. Recorde-se que o líder do PP criticou Sánchez por este ter assinado um pacto com o Ciudadanos que não garantia os votos necessários para conseguir a investidura.

O Podemos reagiu através do secretário-político, Íñigo Errejón, que fala num "acordo da indignação" e acusa o Ciudadanos de "branquear a corrupção do PP". O partido de Pablo Iglesias continua a defender um "governo de mudança".

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