Sánchez rejeita governo de coligação à experiência proposto por Iglesias

O líder do Podemos terá proposto uma coligação de governo que, depois da aprovação do orçamento, no espaço de um ano, poderia romper-se se o socialista considerasse que não estava a funcionar, sendo que garantia o apoio parlamentar até ao fim da legislatura.

O líder socialista espanhol, Pedro Sánchez, já rejeitou a última proposta de acordo do dirigente do Podemos, Pablo Iglesias, a dez dias do fim do prazo para uma nova investidura. Caso não cheguem a um consenso, haverá novas eleições em Espanha a 10 de novembro.

Segundo os jornais espanhóis, Iglesias telefonou a Sánchez com a sua última proposta, mas o telefonema terá durado apenas dez minutos. O líder da aliança Unidas Podemos ofereceu "um acordo de coligação na base da última proposta do PSOE", mas numa espécie de governo à experiência de um ano. "Se depois da aprovação do Orçamento Pedro Sánchez considerar que a coligação não funcionou, a Unidas Podemos compromete-se a abandonar o governo mantendo o apoio parlamentar", revelaram as fontes do Podemos ao El País.

A resposta de Sánchez terá sido negativa: "Não existem nem as bases mínimas de confiança nem a proposta de um governo coeso, coerente e com uma única direção, numa legislatura estável, algo que Espanha precisa com urgência", segundo fontes do PSOE, citadas pelo El Mundo.

Depois de falhada a primeira investidura de Sánchez, em finais de julho, esta terá sido a primeira vez que ambos os líderes falaram entre eles -- os contactos entre equipas negociadoras têm falhado. Têm quatro dias para chegar a acordo, com o rei Felipe VI a receber os líderes dos partidos com assento parlamentar a partir de segunda-feira, antes de decidir se nomeia um candidato a nova investidura ou não. Esgotados os prazos, o Congresso será dissolvido e haverá novas eleições.

A sondagem CIS divulgada esta quinta-feira, feita antes dessa investidura falhada de Sánchez, apontava para uma vitória do PSOE, que teria mais votos que PP, Ciudadanos e Vox juntos. O Podemos também cairia.

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