Russiagate leva à prisão três ex-conselheiros de Donald Trump

Ficam sob detenção domiciliária antigo diretor de campanha do presidente e um seu colaborador de longa data.

O antigo diretor da campanha presidencial de Donald Trump, Paul Manafort, e um seu associado, Rick Gates, foram colocados sob prisão domiciliária e, respetivamente, com fianças de dez e cinco milhões de dólares.

Um terceiro colaborador e ex-conselheiro do atual presidente para política externa, George Papadopoulos, foi detido em julho e está a colaborar com a investigação do procurador especial Robert Mueller, que procura determinar o grau de envolvimento da Rússia - o denominado Russiagate - nas eleições que levaram Trump à presidência dos Estados Unidos. Com estes acontecimentos a serem conhecidos ontem, a atmosfera na Casa Branca deve ter estado pesada.

O único elemento de conforto para o presidente é que as 12 acusações dirigidas a Manafort e a Gates nada têm a ver com o curso da campanha eleitoral em que enfrentou Hillary Clinton. A maioria das acusações, que vão desde omissão de informações, conspiração contra os EUA, lavagem de dinheiro e falsas declarações ao FBI, reportam-se a acontecimentos sucedidos há mais de uma década e em resultado de uma relação próxima com políticos e empresários da Ucrânia.

Aliás, o afastamento de Manafort da direção da campanha de Trump deveu-se a notícias de que aquele teria recebido de forma ilegal avultados pagamentos provenientes de ucranianos. Com a saída de Manafort, saiu também Gates, seu associado de longa data. Manafort e Gates entregaram-se ontem às autoridades. Após conhecerem as acusações, ambos se declararam não culpados.

Quanto a Papadopoulos, cujas ações decorreram quando esteve diretamente envolvido na campanha de Trump ao longo de 2016, este declarou-se culpado e está a colaborar com a Justiça. Ao mesmo tempo, informações passadas para os meios de comunicação social, mostram que ele tentou promover a realização de encontros entre elementos do governo russo e pessoas da campanha de Trump, mas que a equipa para as questões de segurança nacional, chefiada então pelo atual procurador-geral Jeff Sessions, vetou todas estas iniciativas.

As acusações ontem divulgadas são as primeiras informações conhecidas através de canais oficiais de que houve tentativas da Rússia em interferir nas presidenciais americanas de novembro de 2016. Até agora, as informações divulgadas eram atribuídas a fontes anónimas.

Um dos documentos divulgados evidencia que Papadopoulos procurou recolher informações comprometedoras para a candidata democrata, Hillary Clinton, e teria contactado com um "académico estrangeiro" para saber qual a natureza informações em causa. Segundo o registo do interrogatório a Papadopoulos, aquelas seriam "alguns milhares de emails". Este terá tentado, "através de uma cidadã de nacionalidade russa" encontrar-se com o embaixador deste país em Londres. O que nunca veio a suceder.

Não é a primeira vez que o Russiagate causa baixas entre colaboradores ou pessoas próximas do atual presidente americano. O general na reserva Michael Flynn teve de se demitir em fevereiro deste ano do cargo de conselheiro de segurança nacional para que fora nomeado no mês anterior por Trump. Uma demissão motivada exatamente pela dimensão dos seus contactos com altos responsáveis russos e por ter ocultado esta informação nas entrevistas para a designação para o cargo efetuadas com o vice-presidente Mike Pence.

Outra vítima do Russiagate foi Carter Page, um dos elementos originais da equipa de conselheiros para a política externa de Trump, afastado após se saber que os serviços secretos russos o tinham tentado recrutar e dos seus contactos com próximos de Vladimir Putin.

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