Agência nuclear nega que a Rússia tenha sido origem da nuvem radioativa

Empresa estatal de energia nuclear russa contraria agência meteorológica, que diz ter detetado material radiativo nos Montes Urais, próximo de um complexo nuclear

A Rússia não registou "qualquer acidente ou avaria" nas suas instalações nucleares, apesar de uma nuvem radioativa de rutênio-106 ter sido detetada pelos serviços meteorológicos do país, declarou hoje a empresa estatal de energia nuclear russa (Rosatom).

O serviço de imprensa da Rosatom surge após a confirmação da agência meteorológica russa (Rosguidromet) de que concentrações "extremamente elevadas" de rutênio-106, um produto de fissão da indústria nuclear, haviam sido detetadas no final de setembro no sul dos Montes Urais.

"O radioisótopo Ru-106 foi detetado pelas estações de observação de Arguaïach e Novogorny" entre 25 de setembro e 01 de outubro, referiu a agência russa na segunda-feira, acrescentando que, em Arguaïach, foi detetada "uma concentração extremamente alta (...), superior 986 vezes" à taxa de rutênio-106 registada no mês anterior.

A estação de Arguaïach está localizada perto do complexo nuclear de Maïak, atingido em 1957 por um dos piores acidentes nucleares na história.

O complexo nuclear de Maïak referiu, numa declaração, que a "poluição radioativa rutênio-106 detetada pela agência Rosguidromet não está relacionada com as suas atividades".

O complexo, que hoje serve como local de reprocessamento de combustível nuclear utilizado, acrescenta que não "manipulou o rutênio-106" no decorrer de 2017 e não o produz há vários anos.

Maïak também garante que as doses registadas pela agência meteorológica russa são "20 mil vezes menores do que a dose anual admissível e não apresentam risco para a saúde".

O responsável pela Rosguidromet, Maxime Yakovenko, assegurou hoje que a concentração detetada "não representa qualquer perigo para a população", acrescentando que não é o papel da sua agência detetar a fonte da poluição.

No entanto, as conclusões da agência russa estão de acordo com as do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN) de França, que estima que a poluição radioativa detetada na Europa teve sua origem "entre o Volga e os Urais".

A nuvem de radioatividade começou a ser detetada em 29 de setembro e o Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), em França, determinou, após investigação, que "a zona mais plausível de origem de ruténio-106 se situava entre o rio Volga e a cordilheira dos Urais, que engloba as zonas da Rússia e do Cazaquistão.

O IRSN precisou que a origem da nuvem de poluição não podia ser proveniente de um reator nuclear porque nesse caso outros elementos radioativos teriam sido detetados e admitiu a hipótese de a libertação ter tido origem numa instalação dedicada ao ciclo do combustível nuclear ou ao fabrico de fontes radioativas.

"Os níveis de concentração de ruténio no ar na Europa, incluindo a França, não têm consequência tanto para a saúde humana como para o ambiente", observou o IRSN.

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