Rússia nega ter realizado ataque químico que matou 58 pessoas

Ativistas dizem que ataque foi causado por um bombardeamento aéreo do governo sírio ou da aviação russa. 11 das vítimas são menores

As forças armadas russas negaram hoje ter realizado um ataque aéreo na zona de Khan Cheikhoun, na província síria de Idleb, onde um ataque químico matou pelo menos 58 pessoas, incluindo 11 menores.

"Os aviões da força aérea russa não realizaram qualquer ataque na localidade de Khan Cheikhoun", assegurou o Ministério russo da Defesa em comunicado.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o ataque causou 58 vítimas mortais, entre elas 11 menores.

A organização não-governamental, que citou fontes médicas e ativistas, acrescentou que alguns feridos do ataque, perpetrado por aviões não identificados, apresentavam sintomas de asfixia, vómitos e dificuldade de respirar.

O observatório indica ainda que o balanço de vítimas mortais poderá aumentar tendo em conta o elevado número de feridos.

Os ativistas sírios descreveram o ataque como um dos piores com gás tóxico no país em seis anos de guerra civil e disseram não ter ainda indicação sobre qual o tipo de gás utilizado.

De acordo com os mesmos ativistas, o ataque foi causado por um bombardeamento aéreo levado a cabo ou pelo governo sírio ou pela aviação russa.

A oposição síria já pediu ao Conselho de Segurança da ONU que abra, com urgência, um inquérito sobre o ataque.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, exigiu "uma reunião de urgência" do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sequência o ataque, que classificou como "ato ignóbil"

Já a chefe da diplomacia da UE, a italiana Federica Mogherini, acusou diretamente o regime de Bashar al-Assad de ser "o principal responsável" pelo ataque químico.

A maior parte da província de Idleb está sob controlo de fações rebeldes e islâmicas, entre elas o Organismo de Libertação do Levante, a aliança formada em torno da ex-filial síria da Al Qaeda.

Nos últimos dias têm-se registado vários bombardeamentos, alegadamente com gases, no norte da Síria.

No passado dia 30 de março, mais de 50 pessoas ficaram feridas ou com sintomas de asfixia devido a ataques perpetrados por aviões e helicópteros não identificados, alguns com substâncias químicas, na província de Hama, vizinha de Idleb.

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