Rússia apela a cessar-fogo imediato na fronteira entre Azerbaijão e Arménia

A Rússia instou o Azerbaijão e a Arménia a cessarem imediatamente os combates próximo da fronteira comum junto a Nagorno-Karabakh e a sentarem-se à mesa das negociações para estabilizar a situação.

"A situação na zona de Nagorno-Karabakh deteriorou-se consideravelmente e instamos as partes a respeitarem um cessar-fogo imediato e a darem início a negociações com o objetivo de estabilizar a situação", indicou este sábado (27 de setembro), em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Os apelos de Moscovo surgem depois de as partes em conflito terem intensificado os confrontos na região de Nagorno-Karabakh, uma região separatista do Azerbaijão habitada maioritariamente por arménios e apoiada pela Arménia.

Por seu lado, o Ministério da Defesa azeri acusou a Arménia de ter violado o acordo de cessar-fogo (assinado em 1994) e lançado às primeiras horas de hoje "provocações em grande escala" com bombardeamentos contra posições do Exército do Azerbaijão e localidades situadas na primeira linha de zona de conflito.

Segundo a versão das autoridades de Baku, a arménia utilizou nos ataques armas de grande calibre, morteiros e artilharia, ações que provocaram "mortos e feridos entre a população civil" e "danos graves em infraestruturas civis".

Por seu lado, o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinian, acusou o Azerbaijão de ter lançado uma ofensiva militar "com ataques aéreos e mísseis contra Artsaj", nome arménio de Nagorno-Karabakh, e assegurou que o exército "fará tudo" para proteger o país da "invasão azeri".

Antes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros arménio indicou que o Azerbaijão estava a lançar mísseis "contra localidades pacíficas, incluindo a capital [de Nagorno-Karabak] Stepanakert".

Nagorno-Karabakh foi cenário de uma guerra no início dos anos 1990, na qual morreram cerca de 30 000 pessoas, e, desde então, as autoridades azeris têm tentado recuperar o seu controlo, se necessário pela força, enquanto as conversações de paz permanecem num impasse há vários anos.

Os combates ocorrem regularmente entre separatistas e azeris, bem como entre Erevan e Baku.

Em 2016, os graves confrontos armados quase degeneraram numa guerra em Karabakh e, em julho de 2020, registaram-se igualmente combates entre arménios e azerbaijaneses na sua fronteira.

Apesar de o conflito ter terminado em 1994 e de ter sido sucedido de um cessar-fogo, as tensões na região separatista de Nagorno-Karabakh permaneceram ao longo dos anos, tendo este domingo subido de tom, com as partes a trocarem acusações sobre quem iniciou as hostilidades.

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