Rubio vence debate e deixa tudo em aberto na corrida republicana

Senador da Florida soube tornar os ataques dos adversários republicanos numa vantagem para ele

Com os americanos ainda a acordar do debate da véspera à noite, Marco Rubio já estava ontem de manhã na CNN a lançar o ataque contra Hillary Clinton. Discreto até agora, o jovem senador da Florida aproveitou uma prestação mais apagada de Donald Trump e o fracasso da estratégia de Jeb Bush para o denegrir para se afirmar como um sério candidato à nomeação republicana para as presidenciais de 2016 nos Estados Unidos. Bem preparado e seguro de si, conseguiu transformar todos os ataques dos adversários numa vantagem a seu favor e sagrar-se vencedor do terceiro debate entre candidatos republicanos em Boulder, Colorado.

"O que eu mais odiaria seria acordar na primeira quarta-feira de novembro de 2016 e ouvir a notícia de que Hillary ganhou", garantiu Rubio na CNN. Antes de acrescentar: "Porque isso significaria mais quatro anos iguais ou piores do que os últimos oito. E o nosso país não se pode dar a esse luxo." Palavras de quem sabia que depois da boa prestação da véspera, "o desafio na manhã seguinte era parecer presidenciável", escrevia o Washington Post. O mesmo jornal que definiu a prestação de Rubio no debate como "excelente".

A três meses do início das primárias, que vão definir o candidato republicano à Casa Branca, os candidatos revelaram alguma ansiedade num debate marcado por discordâncias ao nível da política fiscal, falando muitas vezes por cima uns dos outros e não hesitando em recorrer aos ataques pessoais.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi quando Bush, ex-governador da Florida, questionou Rubio, senador do mesmo estado, sobre as suas frequentes faltas no Congresso. "Se não consegue cumprir a função para a qual foi eleito, então demita-se e deixe outra pessoa ficar com o lugar", lançou Bush. Sem perder a calma, Rubio acusou o adversário de estar a alinhar com os media liberais e garantiu que o homem que quer colocar um terceiro Bush na Casa Branca (depois do pai e irmão) só o está a fazer porque "estamos a competir pela mesma posição, e alguém o convenceu que atacar-me o ia ajudar".

Favoritos nas sondagens muito graças ao descontentamento dos eleitores com os políticos profissionais, Donald Trump e o neurocirurgião Ben Carson estiveram muito discretos ao longo do debate. O magnata atraiu as críticas dos adversários quando insistiu na ideia de construir um muro na fronteira com o México para travar a entrada nos EUA de imigrantes ilegais vindos do vizinho Sul. "Vamos construir um muro (...). Vamos deixar que as pessoas entrem, mas que entrem legalmente", afirmou o milionário. Antes de acrescentar: "E o México vai pagar pelo muro. O povo mexicano agrada-me, respeito os líderes mexicanos, que são muito mais astutos e inteligentes que os nossos." Trump garantiu que um "político" tradicional não conseguiria que o México pagasse esse muro, mas que ele poderá fazê-lo.

Vamos construir um muro. E o México vai pagar pelo muro

Um dos assuntos que maior discussão gerou entre os candidatos foi a política fiscal, com Carson a defender as suas propostas inspiradas na Bíblia e Carly Fiorina, a antiga CEO da Hewlett-Packard e única mulher num vasto leque de candidatos republicanos, a propor reduzir os complexos regulamentos a documentos de três páginas.

Moderadores sob crítica

No final das duas horas de debate no Colorado, as primeiras críticas foram para os moderadores da CNBC, Betty Quick, John Harwood e Carl Quintanilla. "Se fiquei orgulhoso da forma como os nossos candidatos lidaram com o debate desta noite, o desempenho dos moderadores foi uma desilusão, tendo desapontado a estação de televisão, os candidatos e os eleitores", afirmou Reince Priebus, presidente do Partido Republicano. Em causa estavam as perguntas demasiado superficiais colocadas aos candidatos, que valeram vaias da audiência aos moderadores. Uma foi quando um deles perguntou a Mike Huckabee se Donald Trump tem "autoridade moral" para ser presidente. Outras quando perguntaram: "Ben Carson, consegue fazer as contas?" ou "Donald Trump, é um vilão da banda desenhada?"

Um dos mais críticos do trabalho dos moderadores foi Ted Cruz, com o senador do Texas a desabafar em direto: "As perguntas que têm sido feitas até agora neste debate ilustram bem porque os americanos não confiam nos media." Declarações que valeram a Cruz ser considerado, a par de Rubio, um dos vencedores da noite. E tudo parece estar em aberto na corrida republicana.

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