Robô de raparigas afegãs pode ir competir nos EUA, mas criadoras não 

Raparigas afegãs não conseguiram o visto para ir à competição de robótica em Washington

Duas estudantes afegãs não foram autorizadas a entrar nos Estados Unidos, onde iam participar numa competição de robótica, mas o robô que construíram foi. O visto de entrada das raparigas foi recusado e por isso as jovens vão ter de seguir a performance do robô na competição à distância, por videochamada.

As jovens fazem parte da Team Afghanistan do concurso First Global, que vai decorrer entre 16 e 18 de julho em Washington. Esta equipa é composta por seis raparigas, algo que foi louvado pela organização do concurso.

O Afeganistão não é um dos seis países de maioria muçulmana listados no decreto de imigração criado pelo presidente Donald Trump, o qual bloqueia a entrada de pessoas vindas destes países durante 90 dias e impões outras restrições de entrada.

Mas participantes do Irão e do Sudão, países incluídos no decreto presidencial, receberam o visto para participar na competição. Há ainda uma equipa de refugiados sírios que também foi autorizada a ir para os Estados Unidos, apesar de a Síria também estar incluída no decreto de imigração.

"Ainda não sabemos porque não nos deram vistos, porque os outros países que participam na competição receberam o visto", disse Fatemah Qaderyan, de 14 anos. A rapariga é uma das que viu o seu processo de entrada nos Estados Unidos rejeitado, segundo a Reuters.

"Fizemos o nosso melhor e esperamos que o nosso robô fique numa boa posição em comparação aos robôs dos outros países", continuou Fatemah.

"É um claro insulto ao povo do Afeganistão", disse Lida Azizi, de 17 anos, a outra jovem afegã que não pôde ir para os Estados Unidos. Por solidariedade toda a equipa vai assistir à prova do robô por videochamada no Skype.

No Facebook, o fundador da First Global, Joe Sestak, disse estar muito triste por saber que "estas corajosas raparigas muçulmanas" não poderão participar mas garante que não houve preconceito na decisão do departamento de Estado norte-americano nem motivações políticas.

"A prova disso é o sucesso que a First Global teve no processo de vistos quando a taxa de recusa de alguns países era tão alta como a do Afeganistão", escreveu Sestak.

O presidente da competição sugeriu que a equipa do Afeganistão enviasse o robô para os Estados Unidos, onde poderá ser operado por raparigas afegãs que vivem na América. A única outra equipa que também não conseguiu visto foi a da Gâmbia.

Sestak lembrou que o número de vistos disponíveis no Afeganistão é limitado e que devem ter prioridade as pessoas que estão em perigo, como os afegãos que apoiaram as forças norte-americanas quando estas derrubaram o regime talibã em 2001.

O presidente pede que todos honrem as meninas afegãs tornando esta competição num evento da comunidade e de todas as nações.

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