Rivera ataca Rajoy e Iglesias em entrevista ao 'El País'

Para o líder do Ciudadanos o ainda primeiro-ministro deixa-se facilmente chantagear pelos "corruptos" do PP

A duas semanas do fim do prazo para formação de um governo, Albert Rivera está convencido de que não haverá acordo e de que serão necessárias novas eleições. Esta é uma das conclusões que se podem retirar da entrevista ao líder do Ciudadanos que o El País publicou ontem.

Rivera fala na "possibilidade teórica" de ainda ser possível chegar a um acordo, mas é taxativo ao afirmar que a vontade política de Mariano Rajoy (PP) e de Pedro Sánchez (PSOE) para que isso aconteça é "nula". O líder do Ciudadanos explica que o PP e o Podemos, de Pablo Iglesias, preferem que haja novas eleições. "Rajoy para conseguir sobreviver dentro do partido e o Podemos para tentar a ultrapassar os socialistas (PSOE) liderados por Pedro Sánchez". O primeiro-ministro é um dos principais alvos da entrevista. Para Rivera, o ainda chefe do governo "quer governar a qualquer preço". Mesmo quando o líder do Ciudadanos parece disposto a poupá-lo, rapidamente lança a farpa que trazia na manga: "O problema não é Rajoy pessoalmente. O problema é que ele facilmente se deixa chantagear pelos corruptos do seu partido. E ficamos sem perceber se isso acontece porque está envolvido em alguma coisa ou porque não é capaz de tomar decisões. Trata-se de querermos um primeiro-ministro livre e com as mãos limpas."

Quando Pablo Iglesias passa a ser o centro da conversa, Rivera também não é meigo. "Não confiávamos neles e provou-se que tínhamos razão. Nós e o PSOE ainda acreditámos que o Podemos deixaria que a legislatura arrancasse caso aplicássemos algumas das reformas que eles pretendem, mas deparámos com uma posição completamente distinta. O Podemos não mudou um milímetro. Apenas fizeram um movimento tático para ficar bem na fotografia." Também ontem Javier Maroto, um dos dirigentes do PP, veio a público afirmar que Rajoy apenas telefonará a Sánchez para tentar um bloco central entre o PP e o PSOE se o líder socialista "mudar de atitude".

A data-limite para que seja encontrada uma solução de governo é 2 de maio. Se até lá se mantiver o impasse, o rei será obrigado a convocar novas eleições, que ocorrerão a 26 de junho.

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