Reunião de Trump com russos foi "totalmente apropriada"

O general H.R. McMaster, conselheiro de Segurança Nacional de Trump, usou a expressão nove vezes

O conselheiro de Segurança Nacional do Presidente norte-americano frisou esta terça-feira que as revelações de Trump às autoridades russas sobre a ameaça terrorista do grupo extremista Estado Islâmico foram "totalmente apropriadas" e conformes com rotinas de partilha de informação.

O general H.R. McMaster acrescentou que nenhum dos responsáveis governamentais norte-americanos presentes na Sala Oval durante a reunião do Presidente com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, na semana passada "sentiu de algum modo que a conversa era inadequada", tendo usado a expressão "totalmente apropriada" em nove ocasiões distintas.

O próprio Donald Trump reclamou ter a autoridade para partilhar "factos relativos a terrorismo" e segurança aérea com a Rússia, afirmando num par de mensagens através da rede social Twitter que tem "o direito absoluto", enquanto Presidente, para o fazer.

Os 'tweets' de Trump não referiam se ele revelou informação secreta sobre os 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico (EI), como alguns relatórios divulgados indicaram, e como um responsável governamental norte-americano disse à Associated Press (AP).

Num 'briefing' na Casa Branca, McMaster disse: "No contexto dessa discussão, o que o Presidente discutiu com o ministro dos Negócios Estrangeiros foi totalmente apropriado a essa conversa e é consistente com a rotina de partilha de informação entre o Presidente e quaisquer líderes com quem ele tenha compromissos".

O conselheiro de Segurança Nacional classificou algumas das revelações de Trump como informação que estava disponível em "relatórios do conhecimento público" e acrescentou que o chefe de Estado não sabia qual era a fonte exata da informação que partilhou, sugerindo que ele não poderia ter comprometido fontes confidenciais.

Ainda assim, a Casa Branca não negou expressamente que informação classificada como secreta tenha sido revelada na reunião realizada na Sala Oval entre Trump e diplomatas russos na semana passada.

Por seu lado, o Kremlin desvalorizou tais acusações, considerando-as "um completo disparate".

A notícia espalhou-se pelo mundo, e os países começaram a questionar os seus próprios acordos de intercâmbio de informação secreta com os Estados Unidos.

Um alto responsável dos serviços secretos europeu disse à AP que o seu país poderá deixar de partilhar informação com os Estados Unidos se se confirmar que Trump revelou pormenores classificados às autoridades russas.

Tal partilha "poderá ser um risco para as nossas fontes", disse o responsável, falando na condição de nem ele nem o seu país serem identificados.

No Capitólio, tanto democratas como republicanos expressaram preocupação com as revelações do Presidente.

O senador republicano John McCain, eleito pelo Arizona, classificou tais notícias como "profundamente perturbadoras" e disse que poderão afetar as intenções de aliados e parceiros dos Estados Unidos de continuar a partilhar informação com Washington.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, chamou à questão das informações secretas uma manobra de diversão de prioridades republicanas como a revisão da lei dos impostos e a substituição da lei dos cuidados de Saúde.

"Acho que passaríamos melhor com um bocadinho menos de drama proveniente da Casa Branca sobre muitas matérias, para podermos concentrar-nos na nossa agenda", disse à agência Bloomberg.

Doug Andres, porta-voz do Presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, disse que ele estava ansioso por "uma explicação completa dos factos pela administração".

O líder da minoria, o democrata Chuck Schumer, eleito por Nova Iorque, instou a que o Congresso tenha acesso imediato a uma transcrição da reunião de Trump com os russos, dizendo que se Trump recusar, os cidadãos norte-americanos vão duvidar de que o seu Presidente seja capaz de guardar segredos importantes.

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