Restos mortais recuperados indicam que houve explosão no voo da EgyptAir

Garantia é das equipas forenses egípcias a trabalhar na recuperação dos cadáveres e destroços

Um perito pertencente às equipas forenses egípcias que estão a analisar os restos mortais recuperados do Mar Mediterrâneo, da zona onde caiu o voo MS804 da EgyptAir, revelou hoje que os cadáveres indicam que terá havido uma explosão a bordo do avião.

Apesar de não terem sido encontrado vestígios de explosivos, um dos especialistas a trabalhar na investigação, citado pela agência Reuters, explicou que os corpos recuperados até agora estão muito fragmentados e têm sido recuperados em pequenas partes, o que normalmente sugere o impacto de uma explosão. A mesma fonte sublinhou, no entanto, que ainda é prematuro assumir que foi essa a causa do acidente.

Pouco depois, porém, o dirigente da autoridade forense do Egito descartou a ideia. Hisham Abdelhamid, líder da autoridade forense, disse que a ideia de que o tamanho das partes do corpo era sinal de uma explosão era "apenas uma teoria", e que era muito cedo para tirar conclusões. Pelo menos outras duas fontes com conhecimento direto da investigação disseram também que é cedo para dizer com certeza o que fez com que o voo MS804 da transportadora EgyptAir se despenhasse no mar Mediterrâneo, com 66 pessoas a bordo.

Nesta altura, não existe ainda explicação oficial para o que terá feito despenhar o Airbus A320 na passada quinta-feira: as autoridades francesas e egípcias continuam a manter em aberto todos os cenários possíveis, tanto os de acidente como de atentado terrorista.

Já na manhã desta terça-feira, altos responsáveis do Cairo desmentiram ainda a versão das autoridades gregas que dava conta de movimentos repentinos do avião antes de o aparelho mergulhar no Mediterrâneo. Segundo Ehab Azmy, líder dos serviços de navegação aérea do Egito, um organismo estatal, o avião da EgyptAir não perdeu altitude nem fez qualquer desvio antes de desaparecer dos radares. Azmy referiu, segundo o jornal britânico The Guardian, que o aparelho voava a uma altitude considerada normal, de 37 mil pés (11 200 metros), no minuto antes de desaparecer. Estas declarações são contraditórias com as do ministro grego da Defesa, que garantiu que o avião mantivera uma rota sem desvios durante o período em que atravessava o espaço aéreo grego mas, minutos depois de entrar no espaço aéreo do Egito, descrevera duas curvas acentuadas e descera até aos 15 mil pés, tendo perdido contacto nos 10 mil pés.

Até ao momento, nenhuma das caixas negras do avião foi recuperada. A possibilidade de se encontrarem a cerca de dois mil metros de profundidade, no fundo do mar, levou já as autoridades a incluir nas operações de busca e resgate um submarino, que poderá detetá-las com maior facilidade. O voo MS804 da EgyptAir fazia a ligação entre Paris e o Cairo quando se despenhou com 66 pessoas a bordo.

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