Responsável pelas manifestações anti-Asia Bibi acusado de terrorismo

O líder do partido islamista Tehreek-e-Pakistan Labaik (TLP) foi acusado de terrorismo e rebelião pelo governo paquistanês por ter organizado violentas manifestações em oposição à absolvição de Asia Bibi, a cristã acusada de blasfémia.

O clérigo Rizvi e outros líderes do TLP, que exigiam a execução de Asia Bibi, foram acusados ​​de rebelião e terrorismo, pelo que em caso de condenação arriscam uma pena de prisão perpétua. O anúncio das acusações foi feito pelo ministro da Informação Fawad Chaudhry, em Islamabad.

Khadim Hussain Rizvi e o TLP organizaram protestos no início de novembro, na sequência do anúncio da absolvição de Bibi, condenada em 2010 à morte por blasfémia.

"Outras pessoas diretamente envolvidas na destruição de propriedade, que insultaram e roubaram mulheres, que queimaram autocarros, foram acusados nos processos de terrorismo", disse o ministro. Mais de 3.000 pessoas foram presas em resultado dessas manifestações que paralisaram várias cidades paquistanesas durante três dias.

Os ânimos só acalmaram quando o governo fez cedências, ao permitir que a sentença do Supremo Tribunal pudesse ser passível de recurso e que o TLP iria mover uma ação para impedir a saída de Bibi do país.

Ainda assim, o advogado de Asia Bibi, Saif Mulook, ameaçado de morte e sem proteção policial, pediu asilo à Holanda.

Khadim Rizvi foi preso no dia 24 de novembro, após informações de que o líder extremista tinha criado distúrbios à ordem pública. Durante as manifestações, o TLP pediu a cabeça dos juízes do Supremo Tribunal e apelou a motins no exército.

O caso Asia Bibi divide o Paquistão, um país muçulmano muito conservador, onde a blasfémia é um assunto extremamente delicado. Acusações sem prova são suficientes para provocar o linchamento na rua.

A católica Asia Bibi, trabalhadora rural, foi condenado à morte por blasfémia em 2010 no seguimento de uma discussão com as colegas de trabalho, muçulmanas, sobre um copo de água.

O caso indignou a comunidade internacional e levou os Papas Bento XVI e Francisco a pedirem a sua absolvição. Neste ano o pontífice argentino recebeu o marido e uma das filhas da paquistanesa.

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