Republicanos no Senado vão travar Trumpcare

Senadores garantiram que não vão votar lei aprovada na câmara baixa e apresentarão uma proposta diferente. Assim, o Obamacare vai continuar em vigor.

Os republicanos na Câmara dos Representantes celebraram, em público e com brindes, a aprovação da lei que revoga a legislação sobre acesso à saúde do ex-presidente Barack Obama, mais conhecida por Obamacare, mas o seu entusiasmo terá sido prematuro. Muito prematuro.

Ainda as televisões mostravam imagens de republicanos na Casa Branca com copos na mão e um outro republicano, o senador Lamar Alexander, garantia que ele e outros senadores do mesmo partido não iriam aprovar a lei da Câmara dos Representantes, já popularmente designada por Trumpcare, mas escrever uma nova, "aproveitando as boas ideias que encontrarmos e que sigam de acordo com os nossos objetivos". E não vão ser céleres.

A intenção dos senadores republicanos deve irritar sobremaneira a Casa Branca que, após a votação na Câmara dos Representantes, organizara a referida festa nos seus jardins e o presidente Donald Trump, que se mostrara eufórico.

O projeto de lei do Senado começou a ser ontem preparado por alguns senadores e terá, certamente, presente que recentes sondagens mostravam a esmagadora maioria dos americanos contrária àquilo que foi aprovado na Câmara dos Representantes assim como já se mostrara contrária à primeira versão. Para a primeira versão, recordava ontem o USA Today, apenas 17% a considerava adequada e 56% tinha-a como negativa. Nesta sondagem, divulgada a 23 de março e realizada pela Universidade de Quinnipiac, 46% dos inquiridos afirmaram que, caso o seu representante na câmara baixa ou no Senado votasse favoravelmente o Trumpcare, muito provavelmente não voltariam a votar nele.

Perante este quadro, compreende-se melhor que muitos republicanos na Câmara, imediatamente após a votação e enquanto alguns celebravam, proferissem frases como: "Não, não gosto desta lei", disse Mario Diaz-Balart, da Florida.

A versão agora aprovada na Câmara dos Representantes é considerada mais gravosa do que a anterior, tornando mais difícil e caro o acesso à saúde, esvazia os aspetos sociais do Obamacare e permite a discriminação pelas seguradoras de pessoas com condições médicas preexistentes.

A decisão dos republicanos no Senado representa um novo revés para o presidente Trump, que chegou a ameaçar os eleitos do seu partido na Câmara dos Representantes que apoiaria outros candidatos nas próximas eleições, se a lei não fosse aprovada. Uma das discussões ontem mais intensas nos media americanos centrava-se em torno das consequências para os republicanos em futuras eleições. The Political Cook Report considerava que muitos dos eleitos republicanos na Câmara tinham agora menos hipóteses de serem reeleitos.

Segundo Lamar Alexander, a proposta do Senado vai demorar o tempo que for necessário para ser preparada e "não vamos parar até acharmos que temos tudo bem", disse o republicano.

Ao contrário da Câmara dos Representantes, as regras do Senado requerem um parecer do Gabinete Orçamental do Congresso que prove que a legislação a ser votada não vai fazer aumentar o défice após uma década. Aliás, os senadores não podem sequer começar a rever a legislação agora aprovada pela Câmara dos Representantes sem o parecer do Gabinete Orçamental do Congresso, o que poderá levar semanas. Em março, este gabinete estimou que, com o fim do Obamacare, 24 milhões de norte-americanos ficarão sem seguro de saúde até 2026, incluindo 14 milhões só no próximo ano.

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